A cantora folk britânica Emily Portman, vencedora do BBC Folk Award em 2013, descobriu que um álbum falso gerado por inteligência artificial foi publicado em seu nome em plataformas de streaming como Spotify e iTunes. O álbum, intitulado 'Orca', continha 10 faixas com títulos semelhantes aos que ela poderia criar, como 'Sprig of Thyme' e 'Silent Hearth'. A voz gerada por IA imitava seu estilo, mas soava 'vazia e perfeita demais', segundo a artista.
Portman recebeu uma mensagem de um fã elogiando o novo trabalho, o que a levou a investigar. Ela não havia lançado nenhum álbum recentemente. As faixas foram creditadas a ela como artista, compositora e detentora dos direitos autorais, com um produtor fictício chamado Freddie Howells, sem qualquer registro online. A cantora considerou a situação 'muito assustadora'.
Dias depois, outro álbum falso apareceu em seu perfil, com 20 faixas instrumentais de baixa qualidade, descritas por ela como 'AI slop'. Portman entrou com um processo judicial por direitos autorais para remover os álbuns. Ela destacou a importância da criatividade humana e como a música gerada por IA carece de emoção real.
O Spotify demorou três semanas para remover o álbum 'Orca', enquanto outras plataformas agiram mais rápido. Apesar disso, algumas pessoas foram enganadas, com um fã perguntando onde encontrar o disco. A receita estimada do álbum é inferior a US$ 6 por faixa, devido ao baixo número de reproduções.
O caso reflete uma tendência crescente de artistas consagrados, mas não superestrelas, serem alvos de conteúdo falso gerado por IA em serviços de streaming. Cerca de 99 mil músicas são enviadas diariamente para essas plataformas, muitas vezes por distribuidores que podem inserir dados incorretos, cabendo aos artistas ou gravadoras solicitar a remoção.



