33º Festival de Cinema de Vitória: vencedores e análise do crítico
33º Festival de Vitória: vencedores e análise

O documentário indígena A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe (Marcelo Guarani), foi o grande vencedor da competição principal de longas nacionais do 33º Festival de Cinema de Vitória, levando os prêmios de melhor filme pelo júri oficial e pelo júri popular, além do troféu de Contribuição Artística. O resultado, no entanto, provocou reflexão do crítico Marcelo Guarani, que cobre festivais há cerca de quatro décadas e admite: já não entende mais os júris.

O festival em três atos

Guarani recorre à metáfora dos três atos para descrever festivais de cinema. O primeiro ato é a seleção dos concorrentes pela curadoria. O segundo, o desenvolvimento do festival, com reações do público e da crítica. O terceiro é a premiação, que marca o legado do evento. O crítico confessa que, com o tempo, deixou de prever as decisões dos júris, focando-se na qualidade da seleção.

Para ele, a competição principal de longas foi bem montada. Destacou dois documentários já vistos anteriormente: A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, e Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan. Em outros tempos, acreditava que um deles venceria, mas o júri inclinou-se para a ficção As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho, que levou os prêmios de Roteiro e Direção. O grande vencedor, no entanto, foi o filme indígena, que Guarani considera belo, mas cuja contribuição artística não lhe ficou clara.

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Longas-metragens brasileiros

Na categoria de longas, A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté (ES) acumulou melhor filme pelo júri oficial e popular, melhor contribuição artística, Prêmio Aquisição Sesc Glória e Prêmio Stone Milk de Pós-Produção. As Florestas da Noite (SP) venceu melhor direção, roteiro (Priscyla Bettim) e interpretação (Veronica Valenttino). A Fabulosa Máquina do Tempo (RJ-SP) ganhou melhor fotografia (Carol Quintanilha). Entre o Sucesso e a Lama (SP) e Malaika (PB) receberam menções honrosas.

Curtas-metragens brasileiros

Entre os curtas, Guarani elegeu Samba Infinito, de Leonardo Martinelli, como o melhor, mas o prêmio máximo foi para Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi (GO), que também levou direção e o Prêmio Stone Milk de Pós-Produção. O filme arrancou aplausos com o beijo entre os protagonistas. O que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (ES), recebeu Prêmio Especial do Júri e júri popular. Irmã, de Anderson Bardot (ES), ganhou interpretação (Arthur Batista Leão) e fotografia (Andie Freitas). A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (RJ), levou melhor roteiro. Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr. (RJ), foi premiado como melhor contribuição artística. Espírito São - O Lugar de Toda Fé, de Matheus Costa e Breno Chamon (ES), recebeu menção honrosa.

Outras mostras

Na Mostra Foco Capixaba, venceu Liberdade de Morar, de Penha Souza, que aborda a luta por moradia na Ocupação Chico Prego, em Vitória. Na Mostra Corsária, o melhor filme foi Filme-Copacabana, de Sofia Leão (RJ). Na Mostra Outros Olhares, venceu Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (RS). Na Mostra Mulheres no Cinema, Núbia, de Barbara Bello (MG). Na Mostra Cinema e Negritude, O Pai da Rainha de Angola, de Rodrigo França (SP). Na Mostra Quatro Estações, Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho (CE). No Cinema Ambiental, Bijupirá, de Eduardo Boccaletti (BA). No Cinema Fantástico, Ybi, de Eliza Telles e Begê Muniz (AM). Na Mostra Nacional de Videoclipes, Monalisa, de Lucas Sá (MA) foi o melhor.

O crítico conclui que, apesar de não compreender as decisões dos júris, o festival de Vitória ofereceu uma seleção rica e diversa, com filmes que provocaram reflexão e entretenimento.

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