O fim da escala 6×1, que prevê a redução da jornada de trabalho para seis dias consecutivos com um de descanso, está no centro de um acalorado debate no varejo brasileiro. A proposta, que tramita no Congresso, divide opiniões entre especialistas e empresários do setor.
Impactos no setor varejista
Segundo Alfredo Soares, especialista em varejo, a medida pode ter consequências profundas. "O varejo opera com margens muito apertadas. A escala 6×1 é uma realidade em grande parte das lojas, especialmente no comércio de rua e shopping centers. Se aprovada, o impacto nos custos trabalhistas será imediato", afirma Soares.
Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicam que o setor varejista emprega cerca de 10 milhões de trabalhadores no Brasil, muitos deles sob o regime 6×1. Uma eventual mudança poderia elevar os custos com folha de pagamento em até 15%, segundo estimativas preliminares.
Reações do mercado
A proposta gerou reações imediatas no mercado financeiro. Ações de empresas varejistas, como Lojas Americanas e Magazine Luiza, registraram queda na última semana, refletindo a incerteza do setor. "O mercado está precificando o risco de aumento de custos operacionais", explica analista da XP Investimentos.
Por outro lado, defensores da medida argumentam que a redução da jornada pode aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Estudos internacionais mostram que jornadas mais curtas podem elevar a eficiência em até 20%.
O que dizem os especialistas
Renato Dolci, consultor de RH, acredita que o fim da escala 6×1 não significa necessariamente o colapso do varejo. "Empresas que investirem em tecnologia e automação podem mitigar os efeitos. O problema é que muitos pequenos varejistas não têm capital para isso", alerta.
Já Eduardo Mendes, economista, vê a medida como um passo necessário para modernizar as relações de trabalho. "O Brasil precisa evoluir. A escala 6×1 é um resquício de uma época em que a produtividade era medida por horas trabalhadas, não por resultados", defende.
Próximos passos
A proposta ainda precisa passar por comissões na Câmara e no Senado antes de ir a votação. O relator, deputado Paulo Pereira (SD-SP), sinalizou que buscará um texto de consenso, mas sem descartar a essência da mudança. "Não podemos ignorar o clamor social por melhores condições de trabalho", declarou.
Enquanto isso, entidades patronais como a Fecomercio já se mobilizam para tentar barrar o avanço da medida. "O varejo não suporta mais um encargo. Isso vai gerar desemprego e informalidade", argumenta o presidente da entidade.



