No centro de Los Angeles, o museu Dataland se prepara para abrir suas portas em 20 de junho, dedicado à arte gerada por inteligência artificial. O espaço, fundado pelo artista digital Refik Anadol e sua esposa Efsun Erkiliç, promete ser o mais ambicioso do gênero. Em uma visita antecipada, estudantes da Universidade da Califórnia (UCLA) e um jornalista puderam conferir as instalações.
Uma experiência imersiva na Dataland
Com paredes de quase sete metros de altura, a galeria escura é inundada por luz, cor e som. As imagens em constante movimento retratam a flora e a fauna da Amazônia, com borboletas, beija-flores e árvores surgindo em padrões complexos. A IA do museu transforma dados sobre borboletas da floresta tropical em obras de arte hipercinéticas.
“Dados não são apenas números”, explica Anadol. As informações vêm de repositórios como a Encyclopedia of Life, do Museu Americano de História Natural. O software, com mais de 10 milhões de linhas de código, modela algoritmicamente o movimento das borboletas.
Polêmicas e reconhecimento
Anadol ganhou destaque em 2018 com uma instalação na Filarmônica de Los Angeles. Sua obra Unsupervised, no MoMA de Nova York, gerou controvérsia: enquanto alguns críticos a chamaram de “protetor de tela”, outros a consideraram uma obra-prima. Apesar das críticas, a instalação foi doada à coleção permanente do museu.
Inspiração na Amazônia
Há cinco anos, Anadol e Efsun viajaram à Amazônia e foram recebidos pelo povo Yawanawá. A experiência inspirou a obra Winds of the Yawanawá, que vendeu NFTs em benefício da tribo. Na Dataland, a exposição inaugural Machine Dreams: Rainforest recria a floresta tropical por meio de dados coletados em parceria com instituições como o Laboratório de Ornitologia de Cornell.
Interatividade e coleta de dados
Os visitantes recebem pulseiras que monitoram batimentos cardíacos e resposta galvânica da pele, permitindo que as exibições respondam em tempo real. Sensores Lidar nas paredes calibram os movimentos. Os dados são excluídos após a visita, a menos que o visitante solicite. A Dataland também oferece aromas criados com a L’Oréal Luxe e chocolates personalizados.
Um sonho realizado
O espaço, projetado por Frank Gehry, surgiu durante a pandemia. A Nvidia contribuiu com chips, e a LG e a Epson ofereceram descontos. Ingressos custam entre US$ 49 e US$ 79. Uma edição limitada de “pinturas vivas” esgotou em 34 minutos. Para VIPs, um braço robótico pinta telas abstratas guiadas por dados pessoais, por US$ 15 mil.
“Precisamos de algumas pessoas loucas dando exemplos loucos para sacudir o mundo”, diz Efsun. “A Dataland pode ser esse pequeno chacoalhão.”



