A prática de criar matinês fantasmas para filmes nacionais tem sido uma estratégia comum entre redes de cinema no Brasil. Para cumprir a cota de tela obrigatória, que exige a exibição de produções brasileiras em um percentual mínimo de sessões, muitos exibidores programam filmes nacionais em horários matinais, quando o público é escasso. Com isso, evitam ocupar horários nobres, reservados para blockbusters estrangeiros que garantem maior bilheteria.
O problema das sessões vazias
Essas sessões frequentemente ocorrem com salas vazias e telas apagadas, como registrado em uma exibição diurna de "Velhos bandidos", estrelado por Fernanda Montenegro, em um cinema da Zona Sul do Rio de Janeiro. A produtora envolvida criticou a prática: "A cota de tela brasileira sempre foi falha. Ela permite que os exibidores cumpram a exigência legal sem de fato promover o cinema nacional".
Ancine anuncia mudanças
Para combater essa distorção, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) planeja uma mudança normativa que oferecerá vantagens às redes exibidoras que programarem filmes brasileiros no horário nobre, após as 17h. A ideia é bonificar as exibições em horários de maior público, incentivando a verdadeira promoção do conteúdo nacional. Especialistas apontam que a legislação atual possui brechas que permitem a manobra das matinês fantasmas, enquanto os exibidores cobram melhores políticas de fomento e incentivos fiscais mais atrativos.
Revisão das regras para 2027
A Ancine prevê uma revisão completa das regras da cota de tela para o ano de 2027, com o objetivo de tornar a obrigatoriedade mais eficaz. A expectativa é que as novas diretrizes estimulem a exibição de filmes brasileiros em horários estratégicos, aumentando a visibilidade e a bilheteria das produções nacionais. Enquanto isso, a polêmica das matinês fantasmas continua, evidenciando a necessidade de um debate mais amplo sobre o apoio ao cinema brasileiro.



