Geração Z salva cinema: 87% frequentam salas de exibição
Geração Z salva cinema: 87% frequentam salas de exibição

Contrariando a percepção de que a Geração Z está presa às telas de smartphones e plataformas de streaming, uma pesquisa da plataforma Fandango revela que 87% dos jovens entre 13 e 25 anos frequentaram salas de cinema no último ano. Esse público lidera a frequência com uma média de sete visitas anuais, superando outras faixas etárias. O dado reforça que o cinema continua sendo uma opção de lazer relevante, mesmo em um cenário dominado por Netflix, TikTok e YouTube.

O que motiva a Geração Z a ir ao cinema?

A pesquisa aponta que os jovens buscam experiências imersivas que não encontram em casa. O som surround, a tela grande e a atmosfera coletiva são fatores determinantes. Além disso, o desejo de desconectar das redes sociais por algumas horas surge como um dos principais motivadores. Para muitos, o cinema oferece uma pausa digital e uma oportunidade de socialização presencial, algo cada vez mais valorizado após o período de isolamento social.

De acordo com a Fandango, a Geração Z também vê o cinema como um espaço para criar memórias compartilhadas. "Ir ao cinema é um evento social", afirma o estudo. Os jovens aproveitam para sair com amigos, ter um motivo para se arrumar e, depois, discutir o filme nas redes sociais, gerando um ciclo de engajamento que começa na sala escura e continua online.

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O papel das plataformas digitais na cultura cinematográfica

Paradoxalmente, a internet tem sido uma aliada do cinema físico. O aplicativo Letterboxd, que permite aos usuários avaliar e comentar filmes, saltou para 26 milhões de usuários, muitos deles da Geração Z. A plataforma cria comunidades virtuais que debatem desde blockbusters até produções independentes, estimulando a ida às salas para conferir os lançamentos comentados.

"O Letterboxd funciona como uma rede social para cinéfilos", explica um analista de mercado ouvido pela reportagem. "Os jovens usam o app para descobrir filmes, compartilhar opiniões e até marcar encontros para assistir juntos. Isso alimenta o interesse pelo cinema tradicional."

Sucessos impulsionados pelos jovens

Esse movimento tem reflexo direto na bilheteria. Filmes como Backrooms, terror baseado em uma creepypasta da internet, e Obsessão, suspense psicológico, tornaram-se sucessos de público graças ao boca a boca entre os jovens. A Fandango registrou que 65% dos ingressos vendidos para esses títulos foram adquiridos por espectadores da Geração Z, que utilizaram o próprio celular para comprar e divulgar as sessões.

O fenômeno não se restringe a gêneros específicos. Comédias românticas, animações e filmes de super-herói também atraem esse público, desde que ofereçam algo diferente da experiência doméstica. "O cinema precisa ser um evento, e a Geração Z está disposta a pagar por isso", conclui o estudo.

O futuro da indústria

Especialistas veem na Geração Z uma tábua de salvação para as salas de exibição, que enfrentaram queda de público nos últimos anos. Com uma média de idas ao cinema superior à de outras gerações, esses jovens demonstram que o streaming não substituiu completamente a experiência coletiva. Pelo contrário, a internet e o cinema passam a se complementar, com as redes sociais servindo como vitrine e as salas como palco.

A tendência é que estúdios e exibidores invistam ainda mais em estratégias para atrair esse público, como sessões interativas, pré-estreias temáticas e parcerias com influenciadores digitais. Afinal, como mostra a pesquisa, a Geração Z não apenas frequenta o cinema — ela o reinventa.

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