Clarice Senna lança 'A Boca no Mundo' com acessibilidade e poética DEF
Clarice Senna lança 'A Boca no Mundo' com acessibilidade

Clarice Senna, cantora e compositora paraense, lançou seu primeiro álbum de estúdio, 'A Boca no Mundo', nesta quinta-feira, 18 de junho, em todas as plataformas digitais. O trabalho, que a artista define como de uma cantautora, mescla a vanguarda musical amazônica com questões como o feminino, saúde mental e a estética do acesso, pautada na identidade de pessoa com deficiência e na baixa visão causada pela Doença de Stargardt.

Linguagem assistiva e poética DEF

Em entrevista exclusiva ao blog Vencer Limites, Clarice Senna detalhou a linguagem assistiva de seu trabalho. 'Trabalho com imagens mentais e descrevendo coisas nas minhas letras. É algo que uma pessoa com deficiência visual vai notar, mas alguém vidente talvez nem perceba. Estou fazendo descrição através da minha poética DEF', explicou.

A artista ressignificou o uso da bengala no palco, dançando com ela. 'Quando empunho a bengala e danço, é uma forma de ressignificar, de trazer para uma poética DEF, com força, para que as pessoas parem de ler esse objeto como triste', afirmou.

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Produção e ficha técnica

O projeto foi produzido com recursos do Fomento CULTSP, do governo de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, da Política Nacional Aldir Blanc e do Ministério da Cultura. A distribuição digital é feita pela ONErpm.

O álbum conta com dez faixas e participações especiais de músicos como Mario Manga (violoncelo), Bocato (trombone), Alexandre Ribeiro (clarone e clarinete), Cássio Poleto (violino) e Fábio Peron (bandolim). A banda base é formada por Clarice Senna (voz e composição), Dante Ozzetti (violões), Francy Oliver (percussão), Jabes Felipe (bateria), Beatriz Lima (contrabaixo) e Vitor Arantes (piano e teclado).

Ser cantautora e o movimento atual

Clarice Senna define ser cantautora como 'uma cantora forjada pelas próprias músicas'. Ela destaca o movimento de artistas que compõem e cantam suas próprias canções, citando Ana Carolina, Vanessa da Mata e Maria Gadú como referências. 'Me tornei cantora sendo forjada pelas minhas composições, que me disseram como usar meu corpo e minha voz', disse.

Acessibilidade no cenário cultural

A artista critica a falta de acessibilidade para artistas com deficiência. 'A gente é esperado sempre só como público. Quando se fala em acessibilidade, é para a gente como plateia. Quem prevê que a gente pode estar no palco?', questiona. Ela ressalta a dificuldade de conseguir financiamento fora de editais públicos e a percepção de que a deficiência é vista como algo que não combina com a arte. 'O maior sofrimento é olhar para nossas faltas. É uma luta ter autoestima sendo uma pessoa com deficiência', conclui.

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