A vida de Clara Nunes (1942–1983) será levada ao cinema no longa-metragem de ficção intitulado 'Clara', produzido pela Matizar Filmes em parceria com a Paraguassu, produtora da atriz Camila Pitanga, que também interpretará a cantora. O filme, com roteiro de Flavia Vieira e Janaína Tokitaka, tem como grande desafio abordar ou ignorar a tragédia familiar que marcou a infância de Clara: o assassinato de Adilson Alvarez da Costa, de 17 anos, morto em 1957 pelo irmão da cantora, José Pereira Gonçalves (Zé Chilau), em defesa da honra da então adolescente Clara.
O crime que mudou a vida de Clara
O crime ocorreu em 3 de setembro de 1957, no interior de Minas Gerais. Após o assassinato, Clara foi forçada a migrar para Belo Horizonte para escapar da ira da comunidade. Esse episódio só veio a público em 2007, com a publicação da biografia 'Clara Nunes – Guerreira da utopia', do jornalista Vagner Fernandes. Segundo Fernandes, Clara conviveu com as consequências do crime por toda a vida, embora tenha construído uma carreira de sucesso no Rio de Janeiro a partir da década de 1970.
Trajetória artística e identidade musical
Apesar do drama pessoal, o foco do filme parece ser a ascensão profissional de Clara, que encontrou sua identidade artística ao adotar o samba como mote de sua discografia a partir de 1971. Com a orientação do radialista Adelzon Alves, que idealizou sua imagem afro-brasileira, Clara lançou álbuns emblemáticos como 'Alvorecer' (1974), 'Claridade' (1975), 'Canto das três raças' (1976), 'As forças da natureza' (1977) e 'Guerreira' (1978). Sua voz luminosa conquistou o Brasil e a consolidou como uma das maiores sambistas do país.
Produção e parcerias
A cinebiografia 'Clara' é uma realização da Matizar Filmes em coprodução com a H2O Produções. Camila Pitanga, além de protagonista, atua como coprodutora por meio de sua produtora Paraguassu. O longa promete retratar a trajetória de uma artista que superou tragédias pessoais para se tornar um ícone da música brasileira.



