Sexo como produto: a banalização do prazer e a solidão afetiva
Sexo como produto: banalização do prazer e solidão afetiva

A promessa de liberdade sexual, que parecia libertar o corpo, acabou criando uma forma de coerção: é preciso estar sempre disponível, desejante e performático. O corpo passou a ser uma vitrine; o prazer tornou-se um produto passível de ser consumido, medido em intensidade e novidade; e, muitas vezes, o outro é apenas um meio para que possamos satisfazer nossos próprios desejos, afirma a psicóloga, psicanalista e autora do livro “Amor moderno: o nosso mundo evitativo” (Editora Labrador), Danielle Vieira.

O paradoxo da proximidade sem vulnerabilidade

A especialista diz que o encontro emocional tem sido cada vez mais raro, apesar do contato físico ter se tornado extremamente fácil por permitir proximidade sem exigir vulnerabilidade. Segundo ela, as pessoas recorrem ao sexo casual como uma maneira de experimentar proximidade sem assumir os riscos da intimidade e uma defesa contra as consequências do desejo. E as consequências aqui são: aceitar que o desejo do outro nos afeta mais do que gostaríamos, que não temos tanto controle sobre nossas emoções e pensamentos, que precisaremos entrar em contato com nossa própria vulnerabilidade, medos, inseguranças e anseios.

O que acontece no corpo durante o sexo

Danielle Vieira explica que, durante o desejo, a excitação e o orgasmo, diferentes sistemas relacionados à motivação, à recompensa, à analgesia, à memória e à conexão social entram em funcionamento. A dopamina nos conduz em direção à experiência e à conquista, os opioides endógenos participam da intensidade do prazer e do relaxamento, a ocitocina e a vasopressina aumentam a confiança, reduzem o medo, criam a sensação do estabelecimento de vínculo.

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A banalização do sexo e a perda da intimidade

Para a psicanalista, o sexo tem se tornado um produto, algo banal. Como estar sempre disponível para aliviar a tensão. E não mais um encontro a dois, onde havia intimidade, carinho, carícia, desejo entre outras coisas. A análise aponta que a facilidade do contato físico contrasta com a raridade do encontro emocional, gerando uma superficialidade nas relações.

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