Morre Marjane Satrapi, autora de 'Persépolis', aos 56 anos
Morre Marjane Satrapi, autora de Persépolis, aos 56 anos

A quadrinista franco-iraniana Marjane Satrapi, mundialmente reconhecida pela obra Persépolis, faleceu na manhã desta quinta-feira, 4, aos 56 anos. A autora, que também era cineasta, deixa um legado de histórias em quadrinhos e filmes que abordam temas como resistência, opressão e a luta das mulheres no Irã.

Satrapi construiu uma carreira marcada por narrativas autobiográficas e relatos familiares. Suas obras frequentemente revisitam sua infância em Teerã, as restrições do regime islâmico e o exílio na Europa. A seguir, uma lista dos principais trabalhos da autora disponíveis em português.

Persépolis (2004)

Esta graphic novel autobiográfica reconta a infância de Satrapi em Teerã durante a Revolução Iraniana de 1979. A trama aborda as dificuldades de uma criança obrigada a usar o véu islâmico e como essas experiências moldaram sua consciência política. O livro foi adaptado para o cinema em 2007, recebendo uma indicação ao Oscar de Melhor Animação.

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Bordados (2010)

Em Bordados, Satrapi revela conversas íntimas entre mulheres iranianas sobre vida, sexo e casamento. As reuniões de família na casa da avó, em Teerã, servem de pano de fundo para discussões sobre relacionamentos, traições e a resistência feminina diante da opressão.

Frango com Ameixas (2008)

Inspirada na história do tio de Satrapi, Nasser Ali, esta graphic novel narra a tragédia pessoal de um músico que perde seu amado instrumento, o tar. A trama explora conflitos familiares e a busca por um novo instrumento, mesclando misticismo persa e influências ocidentais.

Mulher, Vida e Liberdade (2024)

Uma das obras mais recentes, Mulher, Vida e Liberdade marca o retorno de Satrapi aos quadrinhos após vinte anos. O livro é baseado na história de Mahsa Amini, estudante iraniana morta pela polícia religiosa por não usar corretamente o hijab. A obra, que conta com textos de outros autores, retrata a luta das mulheres por liberdade e inspirou protestos globais.

No cinema

Satrapi também dirigiu e atuou em filmes. Em A Gangue dos Jotas (2012), uma comédia policial, ela interpretou uma das protagonistas. Já em As Vozes (2014), dirigiu Ryan Reynolds e Anna Kendrick em uma comédia de suspense sobre um paciente com esquizofrenia que conversa com animais. Seu filme mais recente, Radioactive (2019), é um drama biográfico sobre Marie Curie, estrelado por Rosamund Pike.

Morte por amor

Segundo comunicado enviado à AFP, Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de seu marido, Mattias Ripa, produtor e roteirista sueco, falecido em 8 de abril do ano passado. Após a perda, ela fundou a Fundação Cinematográfica Mattias e Marjane Ripa-Satrapi para apoiar estudantes estrangeiros que desejam estudar cinema em Paris. Sua página no Instagram, desde então, exibia imagens que formavam a frase 'Pois perdi o amor da minha vida', junto a fotos do marido e anúncios da fundação.

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