Confessions II: Madonna homenageia a si mesma e à pista de dança
Confessions II: Madonna homenageia a si mesma e à pista

Madonna lançou nesta sexta-feira (3) o álbum "Confessions II", uma sequência do aclamado "Confessions on a Dance Floor" (2005). Com produção do habilidoso Stuart Price, o disco reafirma a interseção entre música pop, expressão, liberdade e intimidade que sempre marcou a carreira da artista. A faixa "One Step Away" já resume a proposta: "A pista de dança não é apenas um lugar. É uma fronteira. Um espaço ritualístico onde o movimento substitui a linguagem".

Uma homenagem à própria trajetória

"Confessions II" é apresentado como uma sequência do álbum de 2005, mas se ancora pouco no antecessor. Madonna se autorreferencia de forma ampla e bem-vinda, com um apelo popular e comercial que não abre mão da finesse que a tornou rainha das pistas. A inspiração veio da turnê "Celebration", que passou por Copacabana em 2024, e resultou em uma colagem sonora que revisita sua própria história.

O álbum começa exuberante e maximalista, passeando pelo house dos anos 80 e influências de Donna Summer em faixas como "I Feel So Free" e "Good For The Soul". A disco-pop "Danceteria" é um destaque, referindo-se à discoteca que Madonna frequentava nos anos 70 em Nova York, ao lado de Basquiat, Keith Haring e Lou Reed.

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Da metade para o fim: confissões e intimidade

Na segunda metade, o disco se torna mais confessional. Faixas como "My Sins Are My Savior", com o francês Stromae, e "Betrayal" trazem produções minimalistas e sensuais, ecoando álbuns como "Bedtime Story" e "Erotica". A faixa "The Test", em trip-hop, é um diálogo com sua filha Lola Leon, agora adulta. Já "Fragile" marca o início de reflexões sobre família, a perda do irmão Christopher (morto em 2024) e a passagem do tempo.

"Confessions II" não é perfeito: faixas como "Read My Lips", com o colombiano Feid, misturam pop latino e eurodance, mas não engajam tanto. Além disso, falta um hit eufórico como "Hung Up". Mesmo assim, o álbum é considerado o melhor de Madonna nos últimos 20 anos, superando "Madame X", "Rebel Heart", "Hard Candy" e "MDMA".

Um disco irresistível

"Confessions II" é irresistível e promete dominar as pistas de dança. Madonna prova que, independentemente da idade, não vai ficar parada. A música pop, para ela, continua sendo um lugar de experimentação, desafio e vulnerabilidade.

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