Potirendaba celebra 61 anos de tradição nos tapetes de Corpus Christi
61 anos de tapetes de Corpus Christi em Potirendaba

A tradição de 61 anos dos tapetes de Corpus Christi em Potirendaba (SP) será celebrada novamente nesta quinta-feira (4). Dona Toninha, de 82 anos, estará mais uma vez entre os fiéis, como faz desde a primeira edição, em 1965. Antônia Quesada Campos Lorencin carrega na memória a história viva de uma das mais tradicionais celebrações do noroeste paulista.

Das folhas aos materiais modernos

Ao longo de seis décadas, a aposentada viu os tapetes feitos de folhas e flores do campo darem lugar a desenhos coloridos com serragem e policarbonato. Ela acompanhou mudanças no percurso da procissão e participou das madrugadas de trabalho coletivo. "Passávamos noites e noites trabalhando, triturando material, tingindo tudo com cores fortes e separando em sacos", relembra.

Nos primeiros anos, as ruas eram decoradas com folhas de mangueira, laranjeira e flores colhidas nos arredores. "Tudo era muito ornamentado. As famílias enfeitavam as casas, montavam altares nas janelas e nas varandas para Jesus passar", conta Dona Toninha.

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Mudanças ao longo dos anos

Na década de 1960, o trabalho exigia ainda mais dedicação. Os materiais eram preparados artesanalmente: borra de café, serragem, bagaço de cana, pneus e até vidro moído. A partir da década de 1970, o percurso foi reduzido e os tapetes passaram a incorporar quadros religiosos maiores nas esquinas.

Segundo Dona Toninha, a mudança começou pelas mãos do sobrinho dela, Wilson Martines. "Quem iniciou os quadros nas esquinas, com imagens sacras, foi meu sobrinho. Como o percurso é longo, temos esses quadros nas esquinas e, na parte principal, próxima da igreja, fazemos o tapete contínuo", explica.

Tradição passada entre gerações

Nascida na zona rural de São José do Rio Preto em 1944, Dona Toninha se mudou para Potirendaba em 1953. A fé católica sempre foi seu alicerce. "Sou muito feliz por ter nascido na Igreja Católica, que me sustenta por meio dos sacramentos", afirma.

Após os anos em que coordenou a organização, a tarefa passou para Wilson Martines e, há cerca de 20 anos, para Silvana Riva, de 67 anos, ao lado do padre Sidney Roberto Martins. Silvana cresceu envolvida com a tradição. "Desde criança eu ajudava a enfeitar as ruas. Quando o coordenador anterior deixou a função, acabei abraçando esse trabalho. Foi um desafio enorme, mas consegui e continuo até hoje", conta.

Números da celebração

Neste ano, a 61ª edição mobiliza funcionários da prefeitura e aproximadamente 400 voluntários. Os preparativos começam semanas antes, com a separação e tingimento dos materiais. São usadas cerca de três toneladas de serragem e 10 toneladas de policarbonato colorido na ornamentação das ruas.

A montagem final começa na madrugada desta quinta-feira, com voluntários trabalhando ao longo de aproximadamente 800 metros de vias centrais. As missas estão programadas para as 10h e as 17h, na Paróquia Senhor Bom Jesus. Após a celebração da tarde, a procissão percorre sete quarteirões.

O que é Corpus Christi

Celebrado 60 dias após a Páscoa, o Corpus Christi é uma das datas mais importantes do calendário católico, simbolizando a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. A expressão vem do latim e significa "Corpo de Cristo". As celebrações são marcadas pelos tapetes coloridos, tradição em diversas cidades do país.

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