Ilha de Paquetá celebra Lucas Paquetá e busca título da Unesco
Ilha de Paquetá celebra Lucas Paquetá e busca título Unesco

A Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, vive um momento de orgulho com a presença do meio-campista Lucas Paquetá na Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo. O jogador, que leva o nome do bairro na camisa, é um dos principais símbolos da ilha atualmente. Com uma história rica que encantou Dom João VI e serviu de cenário para o romance "A Moreninha", de Joaquim Manuel de Macedo, Paquetá agora busca o reconhecimento como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.

Orgulho dos moradores

As lembranças da infância de Lucas Paquetá são motivo de orgulho entre os moradores. Denise Viola, da associação de moradores de Paquetá, afirmou: "Como é uma ilha pequena e todo mundo se conhece, você acaba esbarrando com um, fala com o outro. A coisa de jogar bola, informalmente, não era nem treino, mas tem parente que jogava pelada com o pai dele. Os meninos que jogavam bola aqui jogavam com ele. Dá muita satisfação vê-lo crescer e levando o nome de Paquetá pelo mundo".

Lucas, que voltou a defender o Flamengo este ano depois de anos na Europa, passou parte da infância em uma casa que ainda pertence à sua família. Para Denise, o atleta se tornou a principal referência de Paquetá para os mais jovens. "Tem gente que vem para resgatar 'A Moreninha', a 'Ilha dos Amores', mas a nova geração quer saber qual é a terra do Lucas Paquetá", contou.

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Casa de Artes Paquetá

Além dos campos da ilha, Lucas frequentou a Casa de Artes Paquetá, localizada em frente à Praia de São Roque. O espaço promove atividades culturais, exposições e apresentações para os moradores. José Lavrados Kevorkian, diretor da Casa de Artes Paquetá, disse: "O Lucas não chegou a ser um aluno regular, mas esteve aqui e frequentou como todas as crianças do projeto. E essas crianças participavam das atividades juntas. Ele fez parte desse processo, de uma forma ou de outra".

Características da ilha

Localizada no meio da Baía de Guanabara, a Ilha de Paquetá chama atenção pela tranquilidade. Segundo o último Censo, o bairro tem 3.486 moradores, sendo o menos populoso da cidade do Rio de Janeiro. Entre os pontos turísticos mais conhecidos está a casa que serviu de cenário para a novela "A Moreninha", produzida na década de 1970. Restaurado em uma tonalidade próxima à original, o imóvel é uma propriedade privada. No quintal, um grupo de gansos ajuda a proteger o espaço e a quebrar o silêncio.

Outra atração singular da ilha é o Cemitério de Pássaros, formado por pequenos túmulos destinados ao sepultamento de aves e outros animais de pequeno porte. O espaço foi idealizado por Pedro Bruno e Augusto Silva no início do século XX como uma forma de demonstrar amor à natureza. Mantido pela comunidade, o cemitério continua recebendo pequenos animais de estimação. "As crianças vinham enterrar seus passarinhos, seus gatinhos, micos e gambás. São covas para pequenos animais, pequenos amigos que vão para o céu", afirmou Denise.

História e realeza

A história da ilha remonta ao período colonial, quando suas terras eram divididas entre fazendas responsáveis pelo abastecimento da então capital. Outro símbolo histórico é o Solar Del Rei, utilizado como refúgio por Dom João VI durante suas visitas à ilha. O imóvel existe até hoje, mas permanece fechado ao público desde 2009, segundo a associação de moradores. Mais de 200 anos depois da passagem do monarca português, Paquetá voltou a receber um integrante da realeza. Em novembro do ano passado, o príncipe William, herdeiro do trono britânico, visitou a ilha. Durante a passagem pelo bairro, ele cumprimentou moradores, tirou fotografias e recebeu presentes. O principal compromisso da visita foi conhecer projetos de preservação ambiental nos manguezais da região, voltados à recuperação da Baía de Guanabara.

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Reconhecimento internacional

Com um patrimônio histórico tão rico, moradores articulam uma candidatura para que Paquetá seja reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. A associação de moradores busca apoio do poder público para viabilizar o projeto e elaborar a documentação necessária. "Tem história, tem paisagens maravilhosas, uma cultura riquíssima e uma memória afetiva. A memória afetiva de quem passou por aqui. Não é à toa que Dom João VI dizia que é a 'Ilha dos Amores'. Existe uma memória afetiva muito grande. O que precisa é de cuidado, de preservação. É que o poder público cuide da nossa Apac. Paquetá é uma área de proteção do ambiente cultural", destacou Denise.