O Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no Brasil, iniciou 2026 com uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre, após encerrar o ano passado com crescimento acumulado de 2,3%. O dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, dia 29. O número ficou em linha com as projeções de analistas de mercado, conforme levantamento do jornal Valor com 71 estimativas, que apontava para uma alta de 1,1% na comparação com o quarto trimestre de 2025.
Desempenho recente e fatores de impulso
O segundo semestre de 2025 apresentou desaceleração, com a economia praticamente estagnada no terceiro e no quarto trimestres, sempre na comparação com os períodos imediatamente anteriores. De acordo com economistas, a desaceleração foi influenciada pelos juros elevados, que impactaram a demanda, especialmente o consumo das famílias. Uma reaceleração já era esperada para o início deste ano. Embora alguns indicadores tenham mostrado arrefecimento da atividade em março, o primeiro trimestre contou com impulsos provenientes de maiores gastos governamentais e de um mercado de trabalho ainda robusto, fatores que contribuíram para impulsionar a economia.
Um relatório assinado por Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, destaca: "Em boa parte esse crescimento é sustentado por consumo das famílias, incentivado pela isenção do Imposto de Renda, programa que entrou em vigor em janeiro deste ano, e também pela valorização real do salário mínimo." O economista projetava crescimento de 0,8% para o terceiro trimestre.
Exportações e setores em destaque
Nas projeções, os economistas também consideravam um bom desempenho das exportações, impulsionadas pela soja e pelo petróleo. Pelo lado da oferta, a agropecuária voltou a ser destaque, devido à supersafra de soja, colhida entre o primeiro e o segundo trimestres de cada ano. A indústria, com ênfase na extrativa, e o setor de serviços também registraram crescimento.
O resultado do PIB reforça a expectativa de que a economia brasileira continue em trajetória de recuperação, apesar dos desafios impostos pelo cenário de juros elevados e pela necessidade de ajustes fiscais.



