Indústria brasileira cai 0,2% em maio e interrompe sequência de alta
Indústria brasileira cai 0,2% em maio e interrompe alta

A produção industrial brasileira registrou queda de 0,2% em maio na comparação com abril, interrompendo uma sequência de quatro meses de alta, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado frustrou as projeções do mercado, que esperava estabilidade ou ligeiro crescimento.

Setores com maior impacto

O recuo foi puxado principalmente pelo desempenho negativo das indústrias de transformação, que caíram 0,4% no período. Entre os segmentos que mais contribuíram para a queda estão a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 1,8%, e a produção de máquinas e equipamentos, com baixa de 1,2%. Por outro lado, a indústria extrativa apresentou alta de 0,7%, impulsionada pelo aumento na extração de minério de ferro e petróleo.

Comparação com o ano anterior

Na comparação com maio de 2023, a produção industrial cresceu 1,2%, indicando que o setor ainda opera em patamar superior ao do ano passado. No acumulado do ano (janeiro a maio), a alta é de 2,4%, enquanto nos últimos 12 meses o avanço chega a 1,5%. Apesar disso, o resultado de maio acende um alerta sobre a sustentabilidade da recuperação industrial.

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Expectativas do mercado

O mercado financeiro esperava uma leitura mais positiva, com mediana das projeções indicando estabilidade. Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, a queda reflete um arrefecimento da demanda interna e a alta dos juros, que inibe investimentos. "A indústria vinha mostrando sinais de recuperação, mas os dados de maio sugerem que o ritmo perdeu força. A política monetária restritiva e a incerteza fiscal continuam sendo os principais entraves", afirmou.

Impacto no PIB e perspectivas

A indústria representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e o resultado de maio pode influenciar as projeções de crescimento econômico para o segundo trimestre. O mercado estima que o PIB do período tenha alta de 0,3% a 0,5%, mas o dado industrial negativo pode levar a revisões para baixo. O IBGE divulga o PIB trimestral no final de agosto.

Reação do governo

O Ministério da Economia ainda não se manifestou oficialmente sobre os números. No entanto, fontes do governo indicam que a queda já era esperada em razão de fatores sazonais e da desaceleração da economia global. A pasta deve anunciar novas medidas de estímulo ao setor produtivo nas próximas semanas, incluindo linhas de crédito com juros subsidiados para a indústria de transformação.

Comparação internacional

Em âmbito global, a indústria brasileira segue abaixo da média dos países emergentes. Enquanto a China registrou expansão de 5,6% na produção industrial em maio, o Brasil amarga o segundo mês de desempenho negativo no ano. A Argentina, principal parceiro comercial do Brasil na região, também enfrenta retração industrial, com queda de 3,2% no mesmo período.

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