Fim da jornada 6×1 pode ter impacto negativo no PIB, mas não é palavra final, diz Santander
Fim da jornada 6×1 pode ter impacto negativo no PIB

Um estudo do banco Santander divulgado nesta quarta-feira (2) indica que o fim da jornada de trabalho 6×1, com folga aos domingos, pode ter um impacto negativo no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. A análise, no entanto, ressalta que esse não é um veredito final e que os efeitos dependem de medidas compensatórias e ganhos de produtividade.

Impacto estimado no PIB

Segundo o relatório, a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com a eliminação da escala 6×1, poderia diminuir o PIB em até 0,5% no curto prazo. Isso ocorreria principalmente pela redução das horas trabalhadas, o que afetaria a produção de bens e serviços. O estudo considera que setores como comércio e serviços, que dependem de funcionamento aos domingos, seriam os mais afetados.

Condicionantes e cenários alternativos

Os economistas do Santander destacam que o impacto negativo não é inevitável. Eles apontam que a adoção de tecnologias, o aumento da produtividade e a flexibilização de escalas podem mitigar as perdas. Em um cenário otimista, com ganhos de eficiência, o efeito sobre o PIB poderia ser neutro ou até positivo. O banco também menciona que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, o que, indiretamente, pode elevar a produtividade.

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Reações do mercado e do governo

A proposta de fim da jornada 6×1 tem sido debatida no Congresso Nacional, com apoio de sindicatos e partidos de esquerda. O governo federal ainda não se posicionou oficialmente, mas o Ministério da Economia já sinalizou preocupação com os custos para as empresas. O Santander alerta que mudanças abruptas podem gerar desemprego no curto prazo, mas que uma transição gradual com incentivos à inovação pode minimizar os riscos.

Comparações internacionais

O estudo cita exemplos de países que reduziram a jornada de trabalho, como França e Alemanha, onde os impactos foram variados. Na França, a redução para 35 horas semanais não gerou queda significativa do PIB, mas exigiu ajustes setoriais. No Brasil, a informalidade e a baixa produtividade são desafios adicionais. O Santander conclui que o debate deve considerar as especificidades da economia brasileira.

Próximos passos

A discussão sobre a jornada 6×1 deve avançar nas próximas semanas, com audiências públicas e negociações entre governo, empresários e trabalhadores. O Santander recomenda que qualquer reforma seja acompanhada de políticas de estímulo à produtividade e à digitalização, para evitar efeitos adversos sobre o emprego e o crescimento econômico.

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