O Ministério do Planejamento divulgou nesta quinta-feira (10) que a expansão do crédito, tanto público quanto privado, tem sido um dos principais motores do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. Segundo a pasta, a projeção oficial para o ano é de um crescimento de 2,5%, impulsionado pelo aumento da oferta de crédito e pela melhora nas condições de financiamento.
Expansão do crédito impulsiona economia
De acordo com o relatório divulgado pelo Ministério do Planejamento, o crédito total concedido pela economia brasileira cresceu 8,3% nos primeiros seis meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Desse total, o crédito público, oriundo de bancos estatais como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, apresentou alta de 6,7%, enquanto o crédito privado avançou 9,1%.
O ministro do Planejamento, em coletiva de imprensa, afirmou que "o crédito é um dos principais canais de transmissão da política econômica para o crescimento. Estamos vendo um aumento significativo na concessão de empréstimos para empresas e consumidores, o que tem gerado investimentos e consumo."
Setores mais beneficiados
Os setores que mais se beneficiaram da expansão do crédito foram a indústria de transformação, com crescimento de 4,2% no PIB setorial, e o comércio, que registrou alta de 3,8%. A construção civil também apresentou recuperação, com expansão de 2,5%.
O crédito imobiliário, em particular, teve um papel importante. Segundo dados do Banco Central, os financiamentos habitacionais cresceram 12% no primeiro semestre, impulsionados pelas taxas de juros mais baixas e pelos programas habitacionais do governo.
Impacto no emprego e na renda
A expansão do crédito também refletiu no mercado de trabalho. O ministério destacou que a taxa de desemprego caiu para 7,8% em junho, contra 8,2% no mesmo mês de 2025. A renda média dos trabalhadores, por sua vez, cresceu 1,5% no período.
"O crédito mais acessível permitiu que pequenas e médias empresas investissem em expansão e contratação, gerando empregos formais", completou o ministro.
Riscos e desafios
Apesar dos números positivos, o relatório do Ministério do Planejamento alerta para riscos. O endividamento das famílias atingiu 48% da renda anual, nível considerado elevado. Além disso, a inflação, medida pelo IPCA, acumulou alta de 4,1% nos últimos 12 meses, acima da meta de 3,5%.
O ministro reconheceu que "o aumento do crédito deve ser acompanhado de perto para evitar pressões inflacionárias e o superendividamento. O governo está monitorando a situação e, se necessário, ajustará as políticas."
Perspectivas para o segundo semestre
Para o segundo semestre, o Ministério do Planejamento espera que o ritmo de crescimento do crédito se mantenha, embora em patamar ligeiramente inferior. A projeção é de que o PIB feche o ano com alta de 2,5%, conforme a meta estabelecida no orçamento.
"Estamos confiantes de que a economia continuará crescendo, mas é preciso cautela. O cenário internacional ainda é incerto, com a desaceleração da economia chinesa e a alta dos juros nos Estados Unidos", concluiu o ministro.



