A privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) tem gerado alertas entre especialistas e entidades da sociedade civil. O processo, que avança no governo estadual, pode trazer riscos significativos para o abastecimento de água em diversas regiões do estado, especialmente em áreas mais vulneráveis.
Riscos de desabastecimento
De acordo com estudos técnicos, a venda da estatal para a iniciativa privada pode comprometer a universalização do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário. Atualmente, a Copasa atende cerca de 640 municípios mineiros, e a preocupação é que a lógica de lucro das empresas privadas priorize regiões mais rentáveis, deixando de lado localidades com menor retorno financeiro.
Além disso, há o temor de que a privatização resulte em aumento das tarifas, o que poderia sobrecarregar a população de baixa renda. Um relatório da Associação dos Servidores da Copasa aponta que, em experiências anteriores de privatização no setor de saneamento, os reajustes tarifários foram superiores à inflação.
Impactos na gestão hídrica
Outro ponto crítico é a gestão dos recursos hídricos em um cenário de mudanças climáticas e secas prolongadas. A Copasa possui expertise na operação de sistemas complexos de captação e distribuição, e a transferência para o setor privado pode fragilizar o planejamento de longo prazo, especialmente em períodos de estiagem.
Especialistas do Instituto Água e Saneamento alertam que a privatização deve ser acompanhada de regulação rigorosa e metas claras de investimento. Caso contrário, o estado pode enfrentar crises de desabastecimento semelhantes às registradas em outras regiões do país.
Posição do governo
O governo de Minas Gerais defende a privatização como forma de atrair investimentos e melhorar a eficiência dos serviços. Segundo a Secretaria de Infraestrutura, o modelo de concessão prevê cláusulas que garantem a universalização do atendimento até 2033, conforme determina o novo marco legal do saneamento.
No entanto, críticos argumentam que as metas são ambiciosas e que a fiscalização será insuficiente. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais realiza audiências públicas para debater o tema, e a pressão popular contra a venda da Copasa tem crescido.
Alternativas em discussão
Diante das controvérsias, algumas entidades propõem modelos alternativos, como a criação de uma empresa pública mista ou a manutenção do controle estatal com parcerias privadas pontuais. A decisão final caberá ao governo e ao legislativo, mas o alerta sobre os riscos de desabastecimento permanece no centro do debate.



