Petrobras anuncia corte de 14% no querosene de aviação
A Petrobras anunciou nesta terça-feira (1º) uma redução de 14% no preço do querosene de aviação (QAV) comercializado em suas refinarias. O novo valor entra em vigor a partir desta quarta-feira (2) e reflete a trajetória de queda do petróleo no mercado internacional, bem como a desvalorização do real frente ao dólar.
Impacto nas companhias aéreas
O corte no preço do QAV deve aliviar os custos operacionais das companhias aéreas, que enfrentam há meses margens apertadas devido à alta dos combustíveis. O querosene de aviação representa cerca de 30% dos custos totais das empresas do setor. Com a redução, espera-se que as passagens aéreas possam se tornar mais acessíveis, embora a repasse integral ao consumidor não seja garantida.
Contexto internacional
A decisão da Petrobras acompanha a queda do barril de petróleo tipo Brent, que recuou mais de 10% nas últimas semanas, influenciada por preocupações com a desaceleração da economia global e o aumento da oferta por parte de países produtores. O câmbio também favoreceu a redução, já que o real se valorizou ante o dólar, diminuindo o custo de importação do combustível.
Reajustes anteriores
Este é o segundo corte consecutivo no preço do QAV em 2026. Em maio, a estatal já havia reduzido o valor em 8%. No acumulado do ano, a queda chega a 21%, após sucessivos aumentos em 2025, quando o combustível atingiu picos históricos. A Petrobras adota desde 2023 a política de preços de paridade internacional, que ajusta os valores conforme as cotações globais e o câmbio.
Reações do mercado
O anúncio foi bem recebido pelo mercado. As ações da Petrobras operavam em alta de 1,5% no final da tarde, enquanto os papéis das principais companhias aéreas brasileiras subiam entre 2% e 4%. Analistas consultados pela Reuters consideram que a medida pode estimular a demanda por viagens aéreas no segundo semestre, tradicionalmente mais aquecido.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) elogiou a decisão, mas ressaltou que o setor ainda enfrenta desafios, como a alta carga tributária e o custo do dólar para itens como arrendamento de aeronaves e peças de reposição. A entidade espera que novos cortes ocorram caso as condições internacionais se mantenham favoráveis.
A Petrobras informou que continuará monitorando o mercado e que os preços serão ajustados conforme a política de preços vigente. A estatal não forneceu projeções para os próximos meses.



