Correios suspendem reestruturação após ameaça de greve; empréstimo de R$ 12 bilhões sob risco
Correios suspendem reestruturação; empréstimo de R$ 12 bi sob risco

Os Correios decidiram suspender a execução de seu plano de reestruturação até 31 de julho, após ameaça de greve dos funcionários. As medidas adiadas incluem fechamento de agências e retirada de gratificação paga a funcionários que trabalham com atendimento ao público.

Plano de reestruturação era contrapartida para empréstimo bilionário

O plano foi apresentado ao governo como contrapartida para a obtenção de um empréstimo de R$ 12 bilhões no fim do ano passado, junto a cinco bancos, sendo dois públicos. A empresa acumulava prejuízo por 14 trimestres consecutivos e encerrou 2025 com rombo de R$ 8,5 bilhões, o que a levou a se comprometer com medidas de ajuste consideradas pouco austeras. A suspensão do plano ocorre antes mesmo do início efetivo da greve.

Ministério da Fazenda optou por postergar problema

Diante da situação, o Ministério da Fazenda optou por autorizar a operação financeira questionável, evitando aporte emergencial no Orçamento Geral da União. A decisão parece ter sido tomada para empurrar o problema para depois das eleições presidenciais de outubro. No entanto, os Correios ainda precisam de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões neste ano para pagar contas em dia.

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TCU questiona premissas financeiras

O Tribunal de Contas da União (TCU) já questionou as premissas financeiras que embasaram o fluxo de caixa do plano de recuperação apresentado ao Ministério da Fazenda. A suspensão parcial do plano levanta dúvidas sobre a capacidade da estatal de obter novos financiamentos. A empresa registrou prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre deste ano.

Segundo especialistas, qualquer empresa privada em situação semelhante já teria fechado as portas. A decisão dos Correios de ceder à pressão dos funcionários antes mesmo da greve é vista como um sinal de que o governo Lula dá respaldo a essas práticas, o que pode comprometer futuras operações financeiras.

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