XP revisa projeções: petróleo a US$ 75, PIB 2027 cai para 1,0%
XP revisa projeções: petróleo a US$ 75, PIB 2027 a 1,0%

A XP Investimentos revisou suas projeções macroeconômicas após a forte queda do petróleo no mercado internacional. A expectativa para o Brent no segundo semestre de 2026 caiu de US$ 85 para US$ 75 por barril. Segundo os economistas da casa, o movimento reduz receitas de exportação e arrecadação no Brasil, mas também alivia a pressão inflacionária global e diminui a chance de o Federal Reserve elevar juros no curto prazo.

Cenário doméstico e PIB

No Brasil, a XP manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,0% para 2026, com viés de alta devido ao acúmulo de medidas expansionistas. Para 2027, porém, a estimativa foi reduzida de 1,2% para 1,0%, refletindo o fim dos estímulos de curto prazo e uma possível desaceleração do crédito.

Impacto fiscal

A menor arrecadação relacionada ao petróleo deve ser parcialmente compensada pela redução da subvenção aos combustíveis. A XP projeta déficit primário de 0,3% do PIB em 2026, mas destaca que despesas financeiras maiores ampliam o impulso fiscal e pressionam a trajetória da dívida pública.

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Conta corrente e investimento

A casa elevou a previsão de déficit em conta corrente para 2,5% do PIB em 2026, ante 2,1% anteriormente, diante da queda das exportações de petróleo e do aumento dos gastos com serviços. O Investimento Direto no País (IDP) deve permanecer robusto, alcançando 3,1% do PIB.

Câmbio e inflação

A XP aponta que a incerteza política, a queda nos preços das commodities e a valorização global do dólar podem pressionar o câmbio. Apesar disso, o balanço de pagamentos segue favorável, mantendo a projeção de dólar a R$ 5,00 no fim de 2026 e R$ 5,30 ao final de 2027. Com o petróleo mais barato, a estimativa para o IPCA de 2026 foi reduzida de 5,5% para 5,2%. Para 2027, a projeção permanece em 4,2%, com riscos concentrados para cima.

Juros e Selic

A XP avalia que uma inflação menos pressionada no curto prazo reforça a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto. No entanto, fundamentos desfavoráveis devem levar o Banco Central a adotar cautela posteriormente. A projeção para a Selic ao fim de 2026 foi mantida em 14,0%. Para 2027, a XP espera retomada do ciclo de cortes, com a taxa básica encerrando o ano em 11,5%, diante de desaceleração da atividade e hipótese de avanço no ajuste fiscal.

Eleições presidenciais

Analistas da XP destacam que as eleições começam a ganhar espaço nos debates de mercado, com pesquisas recentes indicando recuperação da popularidade do Presidente Lula, à medida que os consumidores sentem o impacto dos estímulos econômicos. Por outro lado, a XP comenta que o principal candidato de oposição, Flavio Bolsonaro, perdeu terreno após eventos que o associaram a Daniel Vorcaro, do Banco Master. “Mas ele continua sendo um candidato competitivo, de acordo com a maioria das pesquisas”, pontua. “Por ora, as notícias relacionadas às eleições criaram volatilidade de curto prazo, mas não uma tendência para os preços dos ativos, já que as incertezas permanecem elevadas.”

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