O Ibovespa opera em queda na manhã desta segunda-feira, 13, pressionado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que domina o cenário internacional. Por volta das 12h12 (horário de Brasília), o principal indicador da B3 recuava 0,81%, aos 176.446 pontos, após declarações do presidente Donald Trump. O movimento acompanha a desvalorização das bolsas de Nova York, com exceção do Dow Jones, que registrava leve alta de 0,05%. Os juros futuros brasileiros avançam.
Bloqueio naval e ameaça de tarifa sobre carga no Estreito de Ormuz
O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos estavam restabelecendo o bloqueio naval ao Irã e que serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz, após Teerã alegar ter fechado a importante via navegável. “O Estreito de Ormuz está ABERTO e permanecerá ABERTO, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo O BLOQUEIO IRANIANO”, disse Trump no Truth Social. “Os EUA… serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”, acrescentou.
Petróleo limita queda, mas mercado reage com cautela
A desvalorização do Ibovespa é limitada pela alta nas cotações do petróleo, mas a queda se intensificou no fim da manhã, mesmo com a aceleração da commodity. Segundo Rodrigo Franchini, especialista em Soluções de Investimentos da Monte Bravo, o acordo provisório firmado no mês passado gerou pouco ajuste nos mercados, que demonstraram desconfiança quanto à sua efetivação. “Hoje e nos próximos dias, o mercado vai acompanhar as consequências desse impasse, num cenário de petróleo ainda elevado. O que deve também nortear a Bolsa, a curva de juros e o dólar é o CPI americano”, diz Franchini.
Agenda econômica: CPI, dados brasileiros e temporada de balanços
O ambiente externo piora e a semana traz uma agenda forte de indicadores. Saem os índices de preços ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos e na zona do euro, além de dados relevantes da China e a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve. A partir de terça-feira (14) começa a temporada de balanços nos EUA, com os grandes bancos. No Brasil, o destaque fica para os números de atividade: vendas no varejo, volume de serviços e o IBC-Br, do Banco Central. Os dados sairão após o IPCA de junho, divulgado na sexta-feira, que mostrou desaceleração, reforçando apostas de nova queda de 0,25 ponto porcentual na Selic no Copom em agosto, para 14%.
Mercado projeta corte na Selic e ajusta expectativas de inflação
A mesma taxa de 14% é a prevista pelo mercado no boletim Focus divulgado hoje. Já a mediana para o IPCA fechado em 2026 diminuiu de 5,30% para 5,16%, mas a de 2027 avançou de 4,18% para 4,20%. Conforme Franchini, os dados que serão informados nesta semana no Brasil podem corroborar a percepção de nova queda na Selic no mês que vem. “Ainda assim, deve ser um Banco Central reticente em optar por uma derrubada por forte. Seria apenas um corte marginal”, diz.
Fechamento da sexta-feira e desempenho de ações
Na sexta-feira, dia 10, o Ibovespa fechou em alta de 2,97%, aos 177.866,37 pontos, em meio ao IPCA menor do que o previsto, que fortaleceu apostas de recuo da Selic em agosto. Assim, terminou com ganho de 2,18% pela terceira semana consecutiva. Entre as ações, Petrobras (PETR4) subia cerca de 2%, enquanto Vale (VALE3) caía 1,4%, seguindo o recuo de 0,47% do minério de ferro em Dalian e de -0,74% em Cingapura.



