Taxas dos DIs sobem com reprecificação global e expectativas de Selic mais alta
Em uma sessão marcada por maior volatilidade, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam a segunda-feira com altas, especialmente no contrato para janeiro de 2028, dando continuidade ao movimento recente de reprecificação na curva a termo brasileira.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,845%, uma alta de 20 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,644%. Na ponta longa da curva, a taxa para janeiro de 2035 ficou em 14,68%, com ganho de 3 pontos-base ante os 14,652% do ajuste anterior.
Foi a sexta sessão consecutiva de elevação na curva brasileira, com investidores aumentando as apostas de que o Banco Central cortará menos a taxa básica de juros, atualmente em 14,50% ao ano.
Reprecificação global impacta curvas de juros
“Nos últimos 30 dias tem ocorrido forte reprecificação das curvas de juros globais após as taxas de inflação ao produtor (PPI) mais altas registradas na China, Japão, EUA, zona do euro e Brasil”, destacou em relatório o diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, defendendo que este processo ainda não terminou.
No Brasil, desde o dia 29, instituições financeiras intensificaram as mudanças em suas projeções para a inflação e a Selic, na esteira do resultado robusto do Produto Interno Bruto (PIB) e de outros indicadores divulgados posteriormente. No mercado de renda fixa, isso tem se traduzido nas apostas de uma Selic mais elevada do que o originalmente projetado.
Probabilidades de corte da Selic diminuem
Na última quinta-feira, dado consolidado mais recente, as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 53,05% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic este mês, contra 45,5% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50%. Uma semana antes, em 28 de maio, os percentuais eram de 82,5% para corte e 13,75% para manutenção.
Para a decisão seguinte, em agosto, as apostas na paralisação do ciclo já são majoritárias: 77% para manutenção da Selic e 16,1% para corte de 25 pontos-base.
Focus aponta alta nas projeções de inflação e Selic
No boletim Focus divulgado pelo Banco Central pela manhã, a projeção mediana para a inflação em 2026 subiu pela 13ª semana consecutiva, de 5,09% para 5,11%. Para 2027, variou de 4,02% para 4,03%. Já a Selic calculada para o fim deste ano foi de 13,25% para 13,50% e para o encerramento do próximo ano passou de 11,25% para 11,50%.
“Mantemos a estimativa de que o Copom deverá interromper o ciclo de calibração com a Selic em 14% a.a., mantendo-a neste patamar até que as expectativas de inflação convirjam para próximo do centro da meta no horizonte relevante”, comentou Oliveira. “Ainda assim, reconhecemos que o balanço de riscos passou a apontar para uma probabilidade crescente de interrupção do ciclo já na reunião de 17 de junho, embora este ainda não seja nosso cenário-base.”
Mercado acompanha Oriente Médio e Treasuries
Após atingir a mínima de 14,550% (-9 pontos-base) às 9h02, logo após a abertura, a taxa do DI para janeiro de 2028 — um dos mais líquidos do mercado — atingiu a máxima de 14,880% (+24 pontos-base) às 16h15, em um momento em que os rendimentos dos Treasuries também avançavam, com investidores atentos ao Oriente Médio.
Irã e Israel anunciaram nesta segunda-feira a suspensão dos ataques mútuos após um apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, para que parassem imediatamente com os disparos. No entanto, Teerã afirmou que retomará os ataques caso Israel siga atingindo o Hezbollah, seu aliado, no Líbano.
Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia 2 pontos-base, a 4,556%.



