Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (28) mostra a governadora Raquel Lyra (PSD) à frente do ex-prefeito João Campos (PSB) na simulação de segundo turno para o governo de Pernambuco, com 51% contra 44% das intenções de voto. Brancos e nulos somam 4%, e 1% não soube responder. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento, realizado de 25 a 27 de maio, praticamente inverte o cenário de abril, quando Campos tinha 52% e Raquel 42%. Naquele mês, o ex-prefeito chegou a ter 50% das intenções no primeiro turno, contra 38% da governadora, o que poderia liquidar a eleição já na primeira etapa.
Aliados e analistas atribuem a virada à aprovação da gestão estadual, que atingiu 67% no mesmo período, com destaque para o interior do estado, onde o índice chega a 72%. A presença constante da governadora fora da região metropolitana do Recife e ações em segurança pública, saúde e habitação são apontadas como fatores decisivos.
Interlocutores de Raquel avaliam que estadualizar a disputa favorece sua campanha, enquanto a nacionalização do debate beneficia Campos, que reforça aproximações públicas com o presidente Lula. Na quinta-feira, o ex-prefeito publicou nas redes sociais que teve um encontro com Lula para tratar de palanques e disse ter perdido o voo de volta ao Recife de tão boa que foi a conversa.
A governadora, por sua vez, tem se associado cada vez mais a símbolos de Pernambuco, como cores, peças e a bandeira, e repete o lema 'Meu país Pernambuco'. No Carnaval, usou um vestido com a bandeira do estado estilizada no Galo da Madrugada. A campanha pretende ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, explorando uma imagem ligada à maternidade e à presença de uma mulher no comando do Executivo estadual.
Por ora, Raquel tem maior intenção de voto entre homens (53%, ante 44% das mulheres) e entre eleitores de Flávio Bolsonaro (69%). Já Campos vai melhor entre mulheres (47%, ante 38% dos homens) e eleitores de Lula para presidente (55%). O cientista político Adriano Oliveira dos Santos, professor da UFPE, afirma que a disputa deixou de ser uma eleição de mudança e passou a se aproximar de um cenário de continuidade administrativa.



