As lojas de departamento no Brasil atingiram um marco histórico em 2023: quase metade de sua receita total foi gerada por vendas pela internet. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as transações online representaram 48,7% da receita do setor, um salto significativo em relação aos 32,1% registrados em 2019, antes da pandemia.
Crescimento acelerado do e-commerce
O levantamento, parte da Pesquisa Anual de Comércio (PAC), revela que a receita total das lojas de departamento alcançou R$ 98,7 bilhões em 2023, dos quais R$ 48,1 bilhões vieram de canais digitais. O avanço foi impulsionado pela expansão da infraestrutura logística, investimentos em aplicativos e a mudança nos hábitos de consumo. “O consumidor brasileiro incorporou a compra online como uma alternativa conveniente e segura, especialmente após a experiência forçada da pandemia”, afirmou João Paulo de Resende, gerente da PAC do IBGE.
O estudo aponta que o número de lojas físicas do segmento caiu 2,3% entre 2022 e 2023, enquanto as vendas virtuais cresceram 14,6% no mesmo período. Essa tendência de migração para o ambiente digital é observada em todas as regiões, mas com maior intensidade no Sudeste, que concentra 60% da receita online do setor.
Impacto na ocupação e investimentos
A transformação digital também afetou o emprego. As lojas de departamento empregavam 487 mil pessoas em 2023, uma redução de 1,8% ante 2022, mas as vagas relacionadas a tecnologia e logística aumentaram 9%. “Estamos vendo uma realocação de mão de obra, com menor demanda por vendedores presenciais e maior necessidade de profissionais de TI, análise de dados e gestão de estoques”, explicou Resende.
Os investimentos em tecnologia pelas empresas do setor somaram R$ 4,2 bilhões em 2023, alta de 12% em relação ao ano anterior. Os recursos foram destinados principalmente a sistemas de gestão de relacionamento com o cliente (CRM), inteligência artificial para recomendação de produtos e automação de centros de distribuição.
Desafios e perspectivas
Apesar do otimismo, o relatório do IBGE destaca desafios. A concorrência com marketplaces internacionais e a necessidade de reduzir o prazo de entrega em áreas remotas são pontos críticos. “A loja de departamento tradicional precisa se reinventar, oferecendo experiências integradas entre o físico e o virtual”, avaliou o especialista. A pesquisa indica que 78% das empresas do setor planejam investir em realidade aumentada e provadores virtuais nos próximos dois anos.
O governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, anunciou que estuda medidas de incentivo à digitalização do varejo, como linhas de crédito específicas para pequenas lojas. Por enquanto, os dados do IBGE confirmam que o comércio eletrônico deixou de ser uma alternativa para se tornar o principal canal de vendas das lojas de departamento no Brasil.



