O petróleo Brent registrou alta superior a 7% no after market desta quarta-feira, impulsionado por novos ataques dos Estados Unidos contra alvos no Irã. A escalada da tensão no Oriente Médio reacendeu o temor de interrupções no fornecimento global da commodity, elevando as cotações e colocando no radar as ações de petroleiras brasileiras como Petrobras, PRIO e PetroReconcavo.
Contexto geopolítico e impacto imediato
Os ataques ocorreram após o governo americano anunciar o fim de uma onda anterior de bombardeios, mas a retomada das hostilidades surpreendeu o mercado. O estreito de Ormuz, rota crítica para cerca de 20% do petróleo mundial, segue sob ameaça, segundo analistas. "Cada novo ataque aumenta o prêmio de risco geopolítico embutido no preço do barril", afirmou Ricardo Assis, analista de commodities da XP Investimentos.
Petrobras: exposição e oportunidades
A Petrobras, maior empresa do setor no Brasil, tende a se beneficiar do petróleo mais caro no curto prazo, já que grande parte de sua produção é exportada a preços internacionais. No entanto, a estatal também sofre com a alta do dólar e com a defasagem nos preços dos combustíveis no mercado interno. "A Petrobras pode ver sua receita crescer, mas a política de preços da companhia permanece um ponto de atenção", destacou o analista.
PRIO e PetroReconcavo: ganhos potenciais
As petroleiras independentes PRIO e PetroReconcavo, que não têm a mesma exposição ao mercado doméstico de combustíveis, são vistas como as maiores beneficiárias. "PRIO e PetroReconcavo têm custos de extração competitivos e toda a produção dolarizada. Com o Brent acima de US$ 90, as margens disparam", explicou Fernanda Costa, analista do BTG Pactual. A PRIO, que produz cerca de 100 mil barris por dia, pode ver seu Ebitda aumentar em até 30% com o barril a US$ 100, segundo estimativas do banco.
Riscos e volatilidade
Apesar do otimismo, os analistas alertam para a volatilidade. "O mercado está extremamente sensível a qualquer notícia vinda do Oriente Médio. Uma trégua pode derrubar o petróleo tão rápido quanto a escalada o fez subir", ponderou Assis. A recomendação geral é cautela: a XP orienta manter posições em petroleiras, mas com stop-loss ajustado, enquanto o BTG sugere aproveitar eventuais correções para comprar.
Recomendações de investimento
Para quem busca exposição ao setor, as três ações aparecem nas carteiras recomendadas de diferentes corretoras. A Petrobras é a preferida para quem aposta em dividendos; a PRIO, para crescimento; e a PetroReconcavo, para diversificação em pequena escala. "Cada uma tem seu perfil de risco e retorno. O investidor deve alinhar a escolha ao seu horizonte", concluiu Costa.



