Após um início de ano promissor, com a bolsa brasileira atingindo recordes históricos e o dólar caindo abaixo de 5 reais, o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil desacelerou significativamente a partir de maio. O Ibovespa, que alcançou 199.000 pontos em abril, recuou para 177.000 pontos, uma queda de 11%. Em maio, investidores estrangeiros retiraram cerca de 10 bilhões de reais das ações brasileiras, revertendo o saldo positivo registrado nos quatro meses anteriores, que foi o maior em uma década.
No mercado de câmbio, o dólar, que chegou a 4,89 reais, voltou a subir após a divulgação de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O episódio, chamado de 'Vorcaro day', fez a cotação saltar para 5 reais em minutos, registrando a maior alta em cinco meses. Desde então, a moeda oscila entre 5 e 5,10 reais.
Gestores consultados afirmam que a mudança de direção não está ligada a fatores políticos internos, mas sim a questões globais. Paulo Clini, da Franklin Templeton, destaca que o capital estrangeiro que havia migrado para o Brasil em busca de juros altos está se retraindo devido à incerteza sobre a guerra no Irã e à perspectiva de juros mais altos no mundo. 'O que está acontecendo no câmbio não é motivado por fatores locais, são os fatores globais que estão predominando', diz.
Alfredo Menezes, da Armor Capital, acrescenta que a bolsa brasileira, antes considerada barata, agora está em preço justo após os recordes. Com a taxa Selic em 14,5%, fica difícil para as ações superarem o rendimento da renda fixa. 'Não vejo mais nenhum apelo para a bolsa agora', afirma. Por outro lado, Menezes ressalta que as exportações de petróleo, impulsionadas pelo conflito no Oriente Médio, ajudam a sustentar o real em relação a outras moedas emergentes.



