O Morgan Stanley Investment Management elevou os títulos públicos brasileiros de três anos para a posição overweight (equivalente a compra) em sua carteira global. A gestora projeta uma aceleração dos cortes de juros pelo Banco Central ainda no segundo semestre de 2025.
Exposição a mercados emergentes
A posição em papéis brasileiros faz parte de uma exposição mais ampla a títulos em moeda local de mercados emergentes, conforme relatório trimestral de alocação da casa. A gestora cita juros acima de 14% e a meta de inflação de 3% como justificativa para a tese. Na avaliação dos estrategistas, o afrouxamento monetário deve impulsionar o crescimento, melhorar o déficit fiscal e atrair fluxo de investidores, o que sustentaria o real.
Pressão inflacionária vista como transitória
O banco reconhece que os preços de energia elevaram o IPCA de maio, levando o Banco Central a adotar um tom mais duro. Ainda assim, a Morgan Stanley classifica essa pressão como transitória e aposta que a reversão do petróleo e o avanço da desinflação doméstica devolverão fôlego ao ciclo de flexibilização.
Em linha com a tese, o IPCA de junho ficou bem abaixo da expectativa de 0,31% e em desaceleração ante a alta de 0,58% de maio. O acumulado em 12 meses recuou para 4,64%, ainda acima do teto da meta, mas em trajetória de queda. Nesta segunda-feira (13), o Boletim Focus reduziu a projeção de inflação para 2026 de 5,30% para 5,16%, enquanto a estimativa para a Selic no fim do ano seguiu em 14%.
Atividade econômica desacelera
A gestora observa que o ritmo da atividade já vinha mais lento nos últimos meses, mas avalia que o movimento não se esgotou. Como sustentação, acompanha a utilização da capacidade instalada da economia brasileira, indicador que antecede a inflação núcleo com defasagem de nove meses e hoje aponta para uma desaceleração capaz de puxar os preços para baixo à frente.



