Os mercados globais operam em forte queda nesta segunda-feira (13), pressionados pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que elevou o petróleo e desencadeou movimentos de aversão ao risco. O Ibovespa futuro recua, tentando sustentar os 177 mil pontos, enquanto o dólar sobe ante o real e as taxas do Tesouro IPCA+ avançam. A pesquisa eleitoral divulgada no fim de semana também pesa sobre os ativos locais.
Geopolítica domina o cenário
O Kuwait acionou sua defesa aérea e a Jordânia abateu mísseis lançados pelo Irã, em meio a ataques dos EUA que, segundo Teerã, “tornam inúteis” os esforços de negociação. O Irã vê o memorando em ‘fase de crise’ e condiciona o cumprimento do acordo aos norte-americanos. O presidente Donald Trump, por sua vez, contrariou evidências ao falar em queda da inflação e dos preços do petróleo, mas os futuros do Brent subiram mais de 3%.
Na Ásia, o índice Kospi, da Coreia do Sul, tombou 9% com a queda dos semicondutores, após a escalada entre as potências. A ação da SK Hynix despencou após sua estreia na Nasdaq, em meio a realizações de lucros. O movimento contaminou os mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Taxas do Tesouro e dólar em alta
As taxas do Tesouro sobem junto com o petróleo e a projeção de inflação para 2027, que avançou no Boletim Focus. O dólar opera em alta ante o real, com investidores de olho nas tensões no Oriente Médio e na possibilidade de novos ataques. A moeda americana também ganha força globalmente, pressionando divisas de países emergentes.
No mercado de juros, os contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) sobem, refletindo a piora nas expectativas inflacionárias. O Banco Central monitora os movimentos, mas a Selic deve permanecer em trajetória de cortes, segundo o Morgan Stanley, que vê mais reduções e eleva sua aposta em renda fixa brasileira.
Ibovespa pressionado por ações de peso
O Ibovespa futuro cai, tentando se segurar acima dos 177 mil pontos. As ações da Vale continuam pressionadas, enquanto a Caixa Seguridade mantém forte impulso comprador. O setor de consumo também sofre com a alta do dólar e a incerteza política. A pesquisa eleitoral que mostra crescimento de nomes da oposição pesa sobre os ativos ligados ao governo.
No cenário corporativo, o Fleury (FLRY3) afirmou que sua alavancagem projetada reflete nível já divulgado ao mercado, tentando conter as perdas. Já os bancos elevaram apostas em Vibra e Ultrapar, com margens acima do esperado; as ações sobem no pregão.
Renda fixa e recomendações de portfólio
Na renda fixa, as taxas de CDBs, LCIs e LCAs são destaque na plataforma XP, que mantém otimismo com o PIB e prevê dólar a R$ 5,00. Analistas recomendam ajustar o portfólio para o segundo semestre, com exposição tanto à renda fixa quanto à bolsa, aproveitando as oportunidades de compra em ativos baratos.
O Bradesco BBI aponta que a temporada de balanços do segundo trimestre pode reforçar a aposta em Bolsa brasileira barata. As empresas devem reportar resultados mistos, mas com valuation atrativo para o longo prazo.
Política e orçamento secreto
Na política, a Câmara indicou R$ 1,3 bilhão em emendas similares ao orçamento secreto, sem citar autor. O estado de Motta recebeu, com baixa transparência, 43% das ‘emendas de liderança’ do partido. O presidente da Câmara, Arthur Lira, enfrenta pressão para esclarecer os repasses. Enquanto isso, o STF pode bloquear R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha, pesando contra o ex-presidente da Câmara.
O cenário político se complica com a crise entre Flávio Bolsonaro e Michelle, que reorganiza sua atuação para preservar influência. O senador Kassab afirmou que “Flávio está com problemas, mas não o vejo saindo da disputa”.
Perspectivas para a semana
Os investidores acompanham de perto os desdobramentos geopolíticos e a agenda de indicadores econômicos. Nos EUA, o CPI de junho será divulgado na quarta-feira, podendo influenciar as expectativas para os juros. No Brasil, o foco está no avanço do arcabouço fiscal e nas reformas tributárias. A semana promete volatilidade, com o Ibovespa testando suportes importantes e o dólar podendo romper a resistência dos R$ 5,00.



