O mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 283 bilhões em ofertas encerradas entre janeiro e maio, representando um aumento de 14,1% em comparação com o mesmo período de 2025, conforme dados divulgados pela Anbima na terça-feira (16). O grande destaque do período foram os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que apresentaram um crescimento de 36,5% em volume e consolidaram-se como o segundo maior instrumento de captação do mercado, atrás apenas das debêntures. A diferença entre os dois instrumentos diminuiu em relação ao ano anterior.
FIDCs superam outros instrumentos
Os FIDCs acumularam R$ 41,7 bilhões no período, superando CRIs, CRAs e FIIs em volume. Em quantidade de operações, lideraram com folga: foram 406 emissões, contra 237 de debêntures, que concentram os maiores volumes do mercado com R$ 146,3 bilhões captados, mas registraram um recuo de 5,9% na comparação anual. No mesmo período de 2025, os FIDCs também ficaram em segundo lugar, mas a uma distância maior para as debêntures: R$ 30,51 bilhões contra R$ 155,55 bilhões em emissões. Em um ano, a diferença entre os instrumentos reduziu-se em cerca de 26%.
A Anbima classifica os fundos como uma porta de entrada relevante para empresas que ainda não têm escala para emitir debêntures, um perfil que explica o maior volume de operações em tamanhos menores.
Declaração da Anbima
“Os dados de emissões locais e externas reforçam a percepção de um mercado de capitais mais completo e com capacidade de atender diversos cenários de apetite a risco através de diferentes estratégias de captação, evidenciando a maturidade do mercado como um todo”, afirmou Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima.
Renda variável e mercado externo
No segmento de renda variável, os follow-ons atingiram R$ 13,8 bilhões, quase quatro vezes o volume registrado no mesmo período de 2025 (R$ 3,5 bilhões). Apenas em maio, o mercado de capitais movimentou R$ 47 bilhões em 238 operações, expansão de 7,3% em volume e de 14,4% em quantidade ante maio do ano passado.
Agronegócio: CRAs recuam, CPR-Fs avançam
O segmento do agronegócio apresentou dinâmica contrária entre seus principais instrumentos. As Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPR-Fs) registraram R$ 6 bilhões em ofertas nos cinco primeiros meses, volume 35,8% superior ao contabilizado em todo o ano de 2025. Já os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) sofreram retração de 56,4% na comparação anual, totalizando R$ 5,4 bilhões. A divergência reflete uma migração de parte dos emissores para as CPR-Fs no financiamento do agronegócio diante de uma escassez de crédito para o setor.
Emissões externas
No mercado externo, as emissões de renda fixa somaram US$ 20,2 bilhões no acumulado de janeiro a maio, crescimento de 46,2% ante o mesmo intervalo de 2025. A República respondeu por 53,6% do volume, seguida por empresas (36,3%) e instituições financeiras (10,2%).



