Mercado Antecipa Fim da Guerra, Mas Alerta Sobre Petróleo Persiste
Mercado Antecipa Fim da Guerra, Mas Alerta Sobre Petróleo Persiste

A forte reversão dos mercados na segunda-feira (9), após o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizar que a guerra com o Irã poderia acabar 'muito em breve' e discutir a crise do petróleo com Vladimir Putin, pode ter sido otimista demais, segundo o UBS. O banco alerta que os investidores não devem assumir que a crise terá uma saída rápida apenas com base nas declarações do presidente americano.

A reação do mercado foi expressiva: o Brent recuou mais de 15%, aliviando também bolsas e outros ativos de risco. A leitura predominante foi de que a ligação entre Trump e Putin reduzia o risco de um choque prolongado de oferta de petróleo. No entanto, Mark Haefele, CIO global do Wealth Management do UBS, afirma que os investidores devem ser cautelosos ao assumir que Trump pode fechar um acordo e que os fluxos de energia serão retomados em breve.

Haefele acrescenta que, embora o fim das hostilidades e a retomada dos fluxos até o fim de março ainda sejam o cenário mais provável, há risco de decepção. Ele destaca que não está claro se surgirá uma liderança 'mutuamente aceitável' no Irã ou se a navegação pelo Estreito de Ormuz será retomada de forma relevante no curto prazo. A oferta de seguro dos EUA para cobrir perdas de embarcações não foi suficiente para fazer o tráfego voltar de forma material.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que esta terça-feira (10) seria o dia mais intenso de ataques contra o Irã desde o início da campanha, enquanto Israel e EUA mantinham a pressão militar. No curto prazo, a principal variável é saber se haverá acordo político ou se os comboios navais dos EUA conseguirão reabrir parcialmente a rota em Ormuz. O UBS avalia que é possível que os comboios levem o tráfego de navios de volta a cerca de 50% dos níveis pré-conflito.

Se o petróleo seguir elevado por meses e a navegação continuar limitada, o choque pode contaminar inflação, confiança e crescimento. Nos cálculos do UBS, se o petróleo à vista ficar acima de US$ 90 por mais de seis meses, a inflação dos EUA subiria 60 pontos-base em 2026; se ficar acima de US$ 120, o impacto seria de 150 pontos-base. Para investidores com horizonte longo, a recomendação central é permanecer investido. Para uma abordagem tática, o banco sugere reduzir risco progressivamente se o conflito persistir, com hedge, diversificação em títulos de qualidade, ouro e commodities, e corte de exposição cíclica.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar