A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA, desacelerou para 0,09% em outubro, o menor resultado para o mês desde 1998, quando foi registrado 0,02%. O índice ficou abaixo da expectativa dos analistas, que projetavam alta de 0,15%, segundo mediana da Bloomberg.
A desaceleração foi puxada pela queda de 2,39% na energia elétrica residencial, devido à redução da bandeira tarifária de vermelha patamar 2 para patamar 1. O grupo de alimentação e bebidas, que tem o maior peso no IPCA, registrou leve alta de 0,01%, interrompendo uma sequência de quatro meses de queda. Alimentos como arroz (-2,49%) e leite longa vida (-1,88%) recuaram, enquanto a batata-inglesa (8,56%) e o óleo de soja (4,64%) subiram.
No ano, a inflação acumula 3,73% e, nos últimos 12 meses, 4,68%, ficando próxima do teto da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. Essa é a primeira vez desde janeiro que o acumulado em 12 meses fica abaixo de 5%. O resultado pode beneficiar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que evitaria escrever carta sobre descumprimento da meta pela terceira vez.
O grupo de saúde e cuidados pessoais teve a maior alta do mês (0,41%), impulsionado por artigos de higiene pessoal (0,57%) e planos de saúde (0,50%). O grupo de transportes subiu 0,32%, com destaque para passagem aérea (4,48%) e combustíveis (0,32%), exceto o diesel, que caiu. O grupo vestuário registrou a maior variação positiva (0,51%), puxado por calçados e acessórios (0,89%) e roupas femininas (0,56%).
O café, que acumulava alta de 82,24% em 12 meses em maio, caiu pelo quarto mês consecutivo, com recuo de 3,52% no mês. Apesar disso, o acumulado em 12 meses ainda é de 48,13%. Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, a queda pode refletir redução no consumo e expectativas de mercado sobre tarifas nos EUA.



