O mercado apresentou um cenário misto entre Brasil e exterior na última semana. O Ibovespa deu continuidade ao movimento de recuperação iniciado na semana anterior, mas ainda permanece inserido em uma tendência de baixa desde a máxima histórica de 199.354 pontos. O dólar futuro segue tentando ampliar a recuperação recente, enquanto as bolsas americanas perderam força após duas semanas de alta e voltaram a sinalizar um movimento corretivo.
Cenário internacional cauteloso
No mercado internacional, o ambiente ficou mais cauteloso. Nasdaq e S&P 500 recuaram na última semana, aproximando-se de suportes importantes. O Bitcoin continua negociando abaixo dos US$ 70 mil e segue como o ativo tecnicamente mais fragilizado entre os principais mercados.
"Apesar da reação observada no Ibovespa e da recuperação do dólar, sigo vendo um cenário que ainda exige cautela", afirma Rodrigo Paz, analista técnico CNPI-T. "O foco permanece na confirmação da recuperação da Bolsa brasileira, na capacidade do dólar romper resistências relevantes e na defesa dos suportes das bolsas americanas e do Bitcoin."
Análise técnica do Ibovespa
Pelo gráfico diário, o Ibovespa permanece em tendência de baixa desde a máxima histórica de 199.354 pontos, registrada em abril. Apesar disso, o índice voltou a mostrar força compradora e encerrou a última semana com alta de 2,95%, ampliando o movimento de recuperação iniciado após a sequência histórica de oito semanas consecutivas de queda.
No acumulado de 2026, o índice ainda avança 7,55%, embora tenha devolvido boa parte da valorização registrada quando chegou a subir mais de 23% no ano. Na última sessão, avançou 0,76%, encerrando aos 173.295 pontos. A recuperação recente melhora a leitura do curto prazo, principalmente após o retorno dos preços acima das médias móveis. Ainda assim, considera-se prematuro falar em reversão da tendência principal. O IFR (14) em 51,08 permanece em zona neutra e reforça um cenário de equilíbrio entre compradores e vendedores.
Para que o movimento de alta ganhe consistência, será necessário romper as resistências em 174.230/178.340/181.560 pontos. Acima dessas regiões, os próximos objetivos passam por 187.780/192.890 pontos, com alvo mais longo na máxima histórica em 199.354 pontos. Na ponta contrária, a perda do suporte em 167.650 pontos recoloca o índice em trajetória de baixa, abrindo espaço para 164.780/161.745 pontos e, posteriormente, 157.000/153.570 pontos.
Análise técnica do Dólar
No dólar futuro, observa-se uma recuperação gradual da estrutura técnica. O contrato acumulou alta de 0,27% na última semana, registrando o segundo avanço consecutivo, e segue negociando acima das médias móveis de 9 e 21 períodos.
O rompimento da linha de tendência de baixa (LTB), seguido pelo pullback observado recentemente, mantém o viés construtivo para o curto prazo. Na última sessão, o contrato recuou apenas 0,09%, encerrando aos 5.179,5 pontos.
O principal desafio agora está na média móvel de 200 períodos, localizada em 5.265 pontos, região que pode atuar como forte resistência. O IFR (14) em 57,88 permanece em zona neutra. Para dar continuidade à recuperação, será importante superar 5.232,5 pontos e a média de 200 períodos em 5.265 pontos. Acima dessas faixas, os próximos objetivos passam a ser 5.383,5/5.446 pontos, com projeção mais longa em 5.614 pontos.
Caso volte a perder força, a perda dos suportes em 5.134,5/5.046 pontos poderá levar o contrato para 4.992/4.910/4.842 pontos, com extensão até 4.798,5/4.752,5 pontos.
Análise técnica da Nasdaq
A Nasdaq interrompeu a sequência de duas semanas consecutivas de alta e voltou a mostrar pressão vendedora. Depois de renovar a máxima histórica em 27.190 pontos, o índice ampliou o movimento corretivo e voltou a negociar abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos.
Na última sessão, recuou 0,24%, encerrando aos 25.297 pontos. Em junho, acumula queda de 6,21%, refletindo o aumento da realização de lucros após o forte rali observado anteriormente.
O principal ponto de atenção está na região de 24.980 pontos, cuja perda pode confirmar um pivô de baixa e acelerar o fluxo vendedor. Para retomar a tendência de alta, será necessário superar as resistências em 26.010/26.685 pontos e, posteriormente, a máxima histórica em 27.190 pontos. Acima dessas regiões, os alvos passam por 27.545/27.895 pontos e depois 28.330/29.000 pontos.
Caso o suporte em 24.980 pontos seja rompido, o índice poderá acelerar as perdas em direção a 24.200/23.165 pontos e, posteriormente, 22.500/22.020 pontos.
Análise técnica do S&P 500
O S&P 500 também perdeu força após duas semanas consecutivas de recuperação e voltou a negociar abaixo das médias móveis, indicando que o movimento corretivo ainda pode ganhar continuidade.
Atualmente cotado aos 7.332 pontos, o índice acumula queda de 3,17% em junho e passa a monitorar uma importante região de suporte. Para retomar a tendência de alta, será necessário superar 7.432/7.554 pontos e, posteriormente, a máxima histórica em 7.618 pontos. Acima desse nível, os próximos objetivos passam por 7.675/7.740 pontos e 7.810/7.935 pontos.
Na ponta negativa, a perda de 7.289/7.222 pontos pode acelerar o fluxo vendedor, levando o índice para 7.045/6.890 pontos e, em um cenário mais amplo, para 6.727 pontos.
Análise do Bitcoin
O Bitcoin continua apresentando a estrutura técnica mais fragilizada entre os principais ativos analisados. Apesar dos repiques observados nas últimas semanas, a predominância da tendência de baixa persiste.
O ativo permanece abaixo dos US$ 70.000 e também abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos, enquanto a mínima recente em US$ 58.115 continua sendo o principal suporte do curto prazo. Caso consiga recuperar força compradora, será importante superar US$ 64.510/US$ 67.292/US$ 70.465. Acima dessas regiões, os próximos objetivos passam por US$ 74.450/US$ 78.200, com alvo mais longo em US$ 82.850.
Por outro lado, a perda dos US$ 58.115 poderá acelerar a pressão vendedora, levando o Bitcoin para US$ 52.550/US$ 49.000 e, em um cenário mais amplo, para US$ 43.880/US$ 38.555.
IFR (14) – Ibovespa
O IFR (Índice de Força Relativa) é um dos indicadores mais populares da análise técnica. Medido de 0 a 100, costuma-se usar o período de 14. Leitura abaixo ou próxima de 30 indica sobrevenda e possíveis oportunidades de compra, enquanto acima ou próxima de 70 sugere sobrecompra e chance de correção. Além disso, o IFR permite a aplicação de técnicas como suportes, resistências, divergências e figuras gráficas.
Segundo análise de Rodrigo Paz, as cinco ações mais sobrecompradas e sobrevendidas do Ibovespa são monitoradas com base nesse indicador.
As análises foram elaboradas por Rodrigo Paz, analista técnico CNPI-T, e publicadas pelo InfoMoney.



