O Ibovespa registrou nesta quinta-feira (23) a quinta maior alta do ano, com ganho de 1,2% que adicionou R$ 104 bilhões ao valor de mercado da B3. Com isso, a bolsa brasileira se aproximou do patamar de R$ 5 trilhões em valor de mercado, impulsionada por otimismo no exterior e alívio nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
Desempenho do Ibovespa e impacto no mercado
O índice fechou aos 134.567 pontos, maior nível desde o início de abril. O volume financeiro negociado foi de R$ 28,5 bilhões, bem acima da média diária de R$ 22 bilhões. Entre os destaques de alta, as ações da Vale (VALE3) subiram 2,3%, acompanhando a recuperação dos preços do minério de ferro na China. Já a Petrobras (PETR4) avançou 1,8%, beneficiada pela alta do petróleo no mercado internacional.
Segundo analistas do Bradesco BBI, o Brasil voltou a ser a principal aposta entre os mercados emergentes, com fluxo de capital estrangeiro voltando para a bolsa. “A maré começou a virar e o Brasil é a principal aposta”, afirmou o banco em relatório.
Setores em evidência
O setor de tecnologia também teve forte desempenho, com a WEG (WEGE3) saltando 10% após anúncio de novos contratos para fornecimento de equipamentos para data centers de inteligência artificial. Segundo estimativas, os data centers de IA podem destravar R$ 100 bilhões por ano no Brasil, beneficiando empresas como WEG, Tupy e Marcopolo.
No setor imobiliário, as ações da Mitre (MTRE3) subiram 4,5% após a aprovação de um programa de recompra de até 6,3 milhões de ações. Já a Trisul (TRIS3) avançou 3,2%, com expectativas de queda nos juros futuros.
Mercado de renda fixa e câmbio
No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 0,8%, cotado a R$ 5,12, com a escalada das tensões no Oriente Médio. O risco de ataques entre Irã e Israel elevou a busca por ativos seguros, pressionando moedas emergentes. No entanto, o real teve desempenho melhor que seus pares, como o peso mexicano e o rand sul-africano.
Na renda fixa, as taxas dos contratos futuros de juros caíram, com o DI para janeiro de 2027 recuando para 14,2% ao ano. O movimento foi influenciado pela expectativa de que o Banco Central possa iniciar o ciclo de corte da Selic ainda neste semestre, caso a inflação continue arrefecendo.
Perspectivas para os próximos dias
O mercado segue atento aos desdobramentos da guerra comercial entre EUA e China, além dos dados de emprego nos Estados Unidos, que serão divulgados na próxima sexta-feira. Segundo o InfoMoney, a Expert XP 2026, que contará com a presença de Janet Yellen e Niall Ferguson, deve trazer novas perspectivas para investidores.
“O Ibovespa ainda tem espaço para subir, com múltiplos descontados e fluxo estrangeiro voltando”, avaliou um gestor de recursos ouvido pelo InfoMoney. Para ele, o índice pode testar os 140 mil pontos nas próximas semanas, caso o cenário externo se mantenha favorável.



