O Ibovespa opera em alta nesta quinta-feira (9), em uma sessão de menor liquidez devido ao feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo e às férias escolares de julho. Por volta das 13h30, o principal índice da Bolsa brasileira subia 1,02%, aos 172.425 pontos, acompanhando o avanço das bolsas dos Estados Unidos e o recuo do petróleo no mercado internacional.
Recuperação após três quedas consecutivas
A alta representa uma tentativa de recuperação após três quedas seguidas. Desde segunda-feira, o Ibovespa vinha encerrando as sessões em baixa. Segundo Rafael Stephano, advisor sênior da Blue3 Investimentos, o ambiente de feriado reduz a participação dos investidores, deixando o índice “mais leve”. “A Bolsa sobe um pouco, depois de três quedas seguidas, com recuperação em algumas ações mais sensíveis aos juros”, afirma Guilherme Petris, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.
Impacto do conflito entre EUA e Irã
Com o movimento desta quinta-feira, o Ibovespa recupera parte das perdas da véspera, quando chegou a operar abaixo dos 170 mil pontos. Na ocasião, a nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã provocou forte disparada do petróleo e ampliou as preocupações com os impactos da valorização da commodity sobre a economia. Caso o conflito se prolongue, além de pressionar o dólar e elevar os custos de combustíveis, fretes e produção, a alta do petróleo pode reduzir o espaço para uma queda mais rápida da taxa básica de juros, a Selic. Juros elevados por mais tempo tendem a favorecer os investimentos em renda fixa e limitar o apetite por ativos de maior risco, como as ações.
Fragilidade da recuperação
Para Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing, a recuperação desta quinta-feira é puxada principalmente pelas bolsas no exterior, com destaque para a valorização de ações ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores. O movimento, porém, ainda se caracteriza pela fragilidade, uma vez que os riscos locais e globais não se dissiparam. “É frágil porque o Estreito de Ormuz não foi amplamente aberto, não há acordo de cessar-fogo e o cenário eleitoral se avizinha rapidamente”, afirma. Segundo Sant’Anna, fatores que poderiam sustentar uma recuperação mais consistente da Bolsa — como melhora do cenário fiscal, entrada mais forte de capital estrangeiro ou uma postura mais favorável dos grandes bancos internacionais — ainda não estão presentes. “A leitura dos bancos gringos é de que não é hora de voltar à Bolsa brasileira”, reforça.
Combustíveis e inflação no radar
Mesmo com a queda do petróleo nesta quinta-feira, a volatilidade da commodity continua no radar do mercado brasileiro por causa dos possíveis efeitos sobre os preços dos combustíveis, a inflação e a condução da política monetária. Em meio à retomada da cotação do petróleo na sessão anterior, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira que será preciso cautela na retirada dos subsídios aos combustíveis. Ele disse que gostaria de retirar ao menos parte das medidas relacionadas à gasolina na próxima semana. “Ontem o petróleo voltou a subir para US$ 80 e aí temos que adotar com cautela a retirada de subsídio. Essa semana eu ia anunciar a retirada da gasolina, vou analisar a retirada na próxima semana porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo”, afirmou Durigan à Rádio Gaúcha. Segundo Stephano, da Blue3 Investimentos, uma eventual retirada do subsídio pode elevar o preço dos combustíveis e aumentar as pressões inflacionárias. “O preço do combustível pode aumentar e isso tende a colocar pressão, dificultando o trabalho do Banco Central no processo de queda dos juros”, afirma.
Wall Street avança e petróleo recua
Em Nova York, as bolsas operavam em alta no início da tarde. O Dow Jones avançava 0,35%, enquanto o S&P 500 ganhava 0,66% e o Nasdaq subia 0,91%. A melhora era acompanhada pelo recuo do petróleo, após a forte valorização registrada na sessão anterior. No mesmo horário, o WTI cedia 1,85%, a US$ 72,14 por barril, enquanto o Brent recuava 1,63%, a US$ 76,75. Nesta quinta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter concluído uma nova rodada de ataques contra alvos no Irã. “Parece que o mercado está precificando uma nova normalidade, na qual períodos de conflito — que poderiam ser descritos como confrontos pontuais e limitados com o uso de mísseis — se alternam com momentos de relativa calma, ou apreensão, que permitem o trânsito de navios-tanque”, escreveu Lipow em nota divulgada nesta quinta-feira, segundo a CNBC.
Perspectivas para o conflito
Para Thiago Pedroso, responsável pela área de renda variável da Criteria, o foco dos mercados continua na escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltou a elevar os riscos para a inflação global. Segundo ele, o conflito deve continuar alternando períodos de aparente acomodação e novas escaladas. “Já se sabe que a guerra será marcada por altos e baixos, ora com acordo, ora com uma piora. A questão é em que momento isso pode escalar um pouco mais no curto prazo. Neste momento, houve uma escalada. Vamos ver se continua piorando ou não”, afirma.
Bancos puxam alta; Petrobras recua
Entre as ações de maior peso do Ibovespa, o setor financeiro se recuperava e ajudava a sustentar a alta do índice. As ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) subiam 1,58%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) avançava 1,60% e Banco do Brasil (BBAS3) ganhava 1,74%. Destaque positivo da sessão anterior, a Petrobras operava em queda, acompanhando o enfraquecimento dos preços do petróleo no mercado internacional. As ações ordinárias da estatal (PETR3) recuavam 0,61%, enquanto as preferenciais (PETR4) cediam 0,35%. A Vale (VALE3), que havia recuado na véspera, após corte de recomendação, registrava leve valorização de 0,26%, em uma sessão de oscilações modestas dos contratos futuros do minério de ferro negociados na China.



