O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira (18), refletindo a cautela dos investidores com os sinais do Copom de que o ciclo de cortes na Selic está próximo do fim. No exterior, o acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã traz alívio, mas a possibilidade de retomada dos ataques por Trump mantém o mercado em alerta. Confira os destaques do dia.
Comunicado do Copom e perspectivas para a Selic
O Banco Central divulgou ontem a ata da reunião que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. O documento trouxe sinais de que o ciclo de cortes pode estar próximo do fim, reconhecendo o impacto dos juros altos na economia e a incerteza em relação à inflação. A autoridade monetária afirmou que avalia trajetórias de juros “alternativas” para atingir a meta em um horizonte mais distante.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, concedeu entrevista ao grupo Metrópoles e comentou a estratégia econômica. Ele afirmou que a política econômica está se mostrando bem-sucedida, mas admitiu que esperava uma queda na taxa de juros após o programa Desenrola, o que não ocorreu. Durigan também defendeu o senador Jaques Wagner, alvo de nova fase da Operação Compliance Zero, e disse que confia no parlamentar.
Acordo EUA-Irã e impactos no petróleo
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram um acordo preliminar de cessar-fogo, que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego comercial e o alívio gradual das sanções ao petróleo iraniano. Trump, no entanto, afirmou que pode retomar os ataques se o acordo não for cumprido. As negociações sobre o programa nuclear iraniano devem prosseguir por mais 60 dias.
Os preços do petróleo operam em baixa: o WTI cai 1,73%, a US$ 75,46 o barril, e o Brent recua 1,17%, a US$ 78,62. O minério de ferro negociado na bolsa de Dalian também cai 1,13%, a 747 iuanes (US$ 110,54), pressionado pela fraca demanda chinesa e pela queda nos preços da energia.
Mercados internacionais
Os índices futuros dos EUA avançam: Dow Jones futuro sobe 0,44%, S&P 500 futuro ganha 0,83% e Nasdaq futuro avança 1,50%. Na véspera, Wall Street fechou em queda com a decisão do Fed de manter os juros e sinalizar uma alta ainda em 2026, com cortes apenas em 2027. O dólar DXY subiu 0,93%, aos 100,46 pontos.
Na Ásia, os mercados fecharam mistos: o Nikkei (Japão) subiu 1,65%, o Hang Seng (Hong Kong) avançou 0,09%, mas o Shanghai SE (China) caiu 0,43% e o Nifty 50 (Índia) perdeu 1,59%. Na Europa, as bolsas operam sem direção definida, com o STOXX 600 caindo 0,51%, o FTSE 100 (Reino Unido) recuando 1,05%, enquanto o DAX (Alemanha) sobe 0,03% e o CAC 40 (França) avança 0,02%. O Banco da Inglaterra manteve a taxa de juros em 3,75% ao ano, conforme esperado.
Dólar e Ibovespa ontem
O dólar comercial fechou a quarta-feira em alta de 0,42%, cotado a R$ 5,108 na venda, acumulando a terceira alta consecutiva. O Ibovespa caiu 0,70%, aos 168.453,93 pontos, com volume de R$ 29,10 bilhões. Na semana, o índice acumula perda de 1,57%; no mês, queda de 0,30%; no trimestre, recuo de 9,05%; e no ano, alta de 5,82%.
Day trade e expectativas
Para o day trade, os investidores acompanham os desdobramentos do acordo entre EUA e Irã, a entrevista do ministro Durigan e os sinais do Copom. O mini dólar e o mini índice devem refletir a volatilidade externa e as expectativas locais.
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