Ibovespa futuro cai com tarifas dos EUA e cautela global
Ibovespa futuro recua com tarifas dos EUA e cautela global

O Ibovespa futuro abriu a semana em terreno negativo, refletindo o aumento das tensões comerciais globais e a cautela dos investidores diante da possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O movimento ocorre em meio a um cenário de aversão ao risco nos mercados internacionais, com quedas nas bolsas asiáticas e europeias.

Tarifas dos EUA pesam sobre o mercado

O principal fator de pressão é a ameaça do governo americano de impor tarifas adicionais sobre importações do Brasil, em meio a uma disputa comercial que envolve também outros países. A medida, se confirmada, pode impactar setores como siderurgia, agricultura e manufatura, reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano. De acordo com analistas, o impacto direto sobre a economia brasileira ainda é incerto, mas o sentimento negativo já se reflete nos preços dos ativos.

JPMorgan vê oportunidade de recuperação tática

Apesar do cenário adverso, o JPMorgan divulgou relatório apontando que há chance de uma recuperação tática na Bolsa brasileira. O banco americano identificou ações com potencial de short squeeze, ou seja, papéis que estão muito vendidos e podem disparar se houver uma reversão de expectativas. Entre os setores citados estão energia elétrica, saneamento e infraestrutura, que se beneficiam de fluxos de caixa estáveis e baixa correlação com o ciclo econômico.

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Petrobras e dividendos no radar

No noticiário corporativo, a Petrobras segue no centro das atenções com a queda das projeções de dividendos, após a empresa revisar sua política de distribuição de lucros. A estatal agora prevê pagar menos do que o esperado pelo mercado, o que derrubou as ações da companhia na última semana. Especialistas recomendam cautela com o papel, mas destacam que outras empresas, como São Martinho e Helbor, podem oferecer retornos atraentes com dividendos.

Mercado de trabalho e inflação

O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe uma leve melhora nas expectativas de inflação para 2026, que caiu para 5,30%. No entanto, a projeção para o PIB e a taxa Selic permanece estável. O mercado de trabalho continua aquecido, mas a renda das famílias ainda é pressionada pela inflação alta e pelo endividamento.

Dólar e juros

O dólar comercial opera próximo a R$ 5,20, com leve alta, influenciado pela aversão ao risco global. As taxas de juros futuros também subiram, com o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 projetando alta de 0,05 ponto percentual. A curva de juros reflete a incerteza sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.

Recomendações de investimento

Diante do cenário, analistas recomendam cautela com ações expostas ao comércio exterior e sugerem buscar proteção em ativos de renda fixa atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+. As compras desse título dispararam mais de 70% nas últimas semanas, acompanhando os juros recordes. Para quem busca renda variável, os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) continuam pagando dividendos gordos, com destaque para os papéis de logística e shoppings.

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