Ibovespa encerra pregão em leve baixa com Vale no vermelho e liquidez reduzida
O Ibovespa fechou em queda modesta nesta segunda-feira, pressionado principalmente pelas ações da Vale (VALE3), em um pregão sem direção clara e com volume financeiro abaixo da média. O índice de referência do mercado acionário brasileiro recuou 0,21%, aos 168.668,72 pontos, após oscilar entre 168.129,61 na mínima e 169.645,78 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 20,9 bilhões, bem abaixo da média diária de R$ 28,2 bilhões no mês e de R$ 34,7 bilhões no ano.
Mercado lateralizado aguarda novos catalisadores
Na visão do sócio-fundador da Ciano Investimentos, Lucas Sigu, o mercado ficou “um pouco lateralizado” nesta segunda-feira, enquanto investidores aguardam novos catalisadores para definir um movimento mais relevante. “Nós estamos esperando alguma informação”, afirmou, destacando que o Ibovespa já subiu e já caiu bastante em relação às máximas registradas em abril. Desde que renovou as máximas históricas em abril, quando alimentou expectativas de alcançar a marca inédita de 200 mil pontos, o Ibovespa já perdeu 15%, movimento puxado principalmente pelo fluxo negativo de estrangeiros na bolsa paulista.
Exterior: petróleo em alta e alívio geopolítico
No exterior, o barril do petróleo Brent fechou em alta de 1,3%, a US$ 94,25, reduzindo o fôlego em relação ao início da sessão, quando saltou mais de 5% na esteira da troca de ataques entre Irã e Israel. O alívio acompanhou declarações de ambos os países de que haviam interrompido os ataques, após um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 0,3%.
Destaques do pregão
Vale e mineração
As ações da Vale (VALE3) caíram 0,8%, alinhadas à fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou as negociações diurnas com declínio de 0,78%.
Bancos
O setor bancário teve desempenho misto. Bradesco PN (BBDC4) recuou 1,55%, o pior desempenho entre os bancos do Ibovespa. Itaú Unibanco PN (ITUB4) caiu 0,8%, Banco do Brasil ON (BBAS3) recuou 0,37%, Santander Brasil Unit (SANB11) subiu 0,19% e BTG Pactual Unit (BPAC11) terminou com declínio de 0,3%.
Petróleo e energia
Petrobras PN (PETR4) valorizou-se 0,81% e Petrobras ON (PETR3) subiu 0,72%, acompanhando o movimento dos preços do petróleo no exterior. No setor, Brava ON (BRAV3) subiu 1,24%, Prio ON (PRIO3) avançou 2,32% e Petrorecôncavo ON (RECV3) fechou com acréscimo de 0,37%.
WEG
WEG ON (WEGE3) subiu 3,63%, tendo no radar relatório do HSBC de início de cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 57, um potencial de alta de cerca de 34% em relação ao fechamento da sexta-feira. No ano, porém, os papéis da WEG ainda acumulam um declínio de cerca de 9%. Investidores seguem monitorando o noticiário envolvendo tarifas comerciais dos EUA contra o Brasil com potencial efeito negativo para a companhia.
Construtoras
MRV&Co ON (MRVE3) caiu 4,64%. Analistas da XP destacaram em relatório a clientes que a demanda e a atividade seguem fortes no segmento de baixa renda, mas o mercado de trabalho mais apertado indica pressões de custos à frente. Cyrela ON (CYRE3) avançou 1,61%, após o conselho de administração aprovar novo programa de recompra de ações.
Alimentos
MBRF ON (MBRF3) fechou em queda de 1,46%, em pregão negativo no setor. Minerva ON perdeu 1,09%. O UBS BB cortou o preço-alvo das ações da MBRF para R$ 19 ante R$ 22, enquanto reiterou recomendação neutra.
Embraer
Embraer ON (EMBJ3) fechou em alta de 1,53%, em meio a declarações de executivos da companhia no fim de semana, incluindo expectativa de que a Índia avance nos próximos meses com uma licitação de aeronaves de transporte militar, na qual o C-390 Millennium, da Embraer, é um dos principais concorrentes.
Raízen
Raízen PN (RAIZ4), que não faz parte do Ibovespa, subiu 10%, para R$ 0,44, após obter apoio de credores e detentores de títulos para prosseguir com uma reestruturação extrajudicial que totaliza aproximadamente R$ 64,7 bilhões.



