O economista Guilherme Mello, atualmente secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, será nomeado secretário-executivo do Ministério do Planejamento, segundo informações de pessoas familiarizadas com o assunto. A decisão o retira da disputa por uma vaga na diretoria do Banco Central e faz parte de uma reformulação da equipe econômica do governo federal antes das eleições.
Além do novo cargo, Mello também deve ser indicado para a presidência do conselho de administração da Petrobras, de acordo com duas fontes que pediram anonimato. A informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S. Paulo e confirmada pela Bloomberg. O Ministério do Planejamento e o Ministério da Fazenda não comentaram o assunto.
O nome de Mello havia sido sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad para uma das duas vagas abertas na diretoria do Banco Central, mas enfrentou resistência dos mercados. O economista de 42 anos faz parte de um grupo de estruturalistas que defendem um papel mais forte do Estado e do investimento público para impulsionar a produção e lidar com desequilíbrios entre oferta e demanda que alimentam a inflação.
A discussão ocorre em meio ao início cauteloso de um ciclo de flexibilização da política monetária, com futuros cortes nas taxas de juros dependendo do impacto inflacionário da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços globais dos combustíveis e aumentou as expectativas de inflação a longo prazo.
A nomeação de Mello, junto com a de Bruno Moretti como ministro do Planejamento, deve aumentar a influência da pasta sobre a política econômica. Moretti, anteriormente economista na Casa Civil, desempenhou papel central nas discussões fiscais desde 2023. Mello assessorou a campanha presidencial de Haddad em 2018 e ajudou a elaborar a plataforma econômica de Lula para as eleições de 2022.



