O fluxo cambial brasileiro registrou entrada líquida de US$ 17,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC). O resultado reflete o saldo positivo entre ingressos e saídas de dólares no país, impulsionado por operações comerciais e financeiras.
Desempenho por segmento
No âmbito comercial, o saldo foi positivo em US$ 12,3 bilhões, com exportações totalizando US$ 142,5 bilhões e importações de US$ 130,2 bilhões. Já o segmento financeiro registrou entrada líquida de US$ 5,5 bilhões, influenciado por investimentos estrangeiros diretos e aplicações em carteira.
Segundo o BC, o fluxo cambial total considera operações de câmbio contratadas, incluindo exportações, importações, transferências unilaterais e movimentações financeiras. O resultado do primeiro semestre representa uma melhora significativa em relação ao mesmo período de 2025, quando houve saída líquida de US$ 2,1 bilhões.
Impactos na economia
A entrada de dólares contribui para a estabilidade cambial e pode influenciar a política monetária. Economistas apontam que o fluxo positivo reduz a pressão sobre o real e dá margem para o Banco Central manter a trajetória de cortes na taxa Selic. Atualmente, a Selic está em 10,75% ao ano, e o mercado projeta nova redução de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto, conforme indicam opções do Copom negociadas na B3.
“O fluxo cambial robusto reflete a confiança dos investidores na economia brasileira e no ambiente de negócios”, afirmou o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, em nota. Ele destacou que o desempenho positivo foi puxado pelo agronegócio e pela indústria extrativa.
Comparativo histórico
O resultado do primeiro semestre de 2026 é o melhor desde 2022, quando o fluxo cambial acumulou entrada de US$ 22,4 bilhões no período. Em 2023, o saldo foi negativo em US$ 1,8 bilhão; em 2024, positivo em US$ 8,9 bilhões; e em 2025, negativo em US$ 2,1 bilhões. A recuperação em 2026 é atribuída ao aumento das exportações de commodities e à maior entrada de investimentos estrangeiros.
O BC também informou que, apenas em junho, o fluxo cambial foi positivo em US$ 3,2 bilhões, com destaque para o segmento financeiro, que registrou entrada de US$ 2,1 bilhões. O comercial contribuiu com US$ 1,1 bilhão no mês.
Perspectivas
Analistas do mercado financeiro esperam que o fluxo cambial continue positivo no segundo semestre, sustentado pela safra recorde de grãos e pelos investimentos em infraestrutura. No entanto, alertam para riscos externos, como a volatilidade nos preços do petróleo e as tensões geopolíticas no Oriente Médio, que podem afetar o apetite por risco global.



