Fim da escala 6x1 pode reduzir PIB em R$ 76 bi, diz CNI
Fim da escala 6x1 pode reduzir PIB em R$ 76 bi, diz CNI

A proposta de fim da escala 6x1 sem redução salarial, em discussão no Congresso Nacional, é considerada legítima por especialistas, mas pode gerar impactos severos sobre a economia, os investimentos e a criação de empregos formais. Analistas defendem que o tema não seja votado de forma apressada, especialmente em ano eleitoral, sem avaliação aprofundada de seus efeitos.

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, é necessário separar o debate técnico sobre a redução da jornada do calendário eleitoral. Segundo ele, propostas de grande alcance exigem tempo e avaliação cuidadosa de impactos. 'A discussão é legítima, mas qualquer decisão dessa dimensão precisa considerar seus efeitos econômicos. A produtividade brasileira ainda está muito abaixo da de países comparáveis e há escassez de mão de obra. Por isso, este não é o momento de alterar a jornada de trabalho', afirma.

Projeções da CNI indicam que a redução da jornada poderá elevar os custos com empregados formais em mais de R$ 267 bilhões por ano. O impacto tende a ser repassado aos consumidores na forma de aumento de preços, estimado em 6,2%. Itens específicos como alimentos ficariam cerca de 5,7% mais caros; produtos industrializados, 6%; vestuário e calçados, 6,6%; e serviços de internet, 7,2%. A estimativa é de retração de 0,7% do PIB, equivalente a uma perda de R$ 76,9 bilhões.

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Para José Pastore, decano de relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP e pesquisador da Fipe, o primeiro efeito será inflacionário, mas as consequências mais duradouras recairão sobre os próprios trabalhadores, com aumento da rotatividade, terceirização, informalidade, desemprego e recessão. 'Teremos um aumento imediato de mais de 7% na folha de pagamento. Poucas empresas conseguirão absorver isso; as pequenas, que são as maiores empregadoras, não têm condições', afirma.

Estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) aponta que a perda de renda na economia seria de 2,6% com a redução da jornada atual de 44 horas para 40 horas e de 7,4% caso ela caia para 36 horas. Nesse último cenário, a retração seria semelhante à registrada pelo Brasil na recessão de 2014 a 2016. Dados da FGV/Ibre mostram que a produtividade por trabalhador no Brasil cresceu apenas 0,2% ao ano, em média, enquanto a produtividade por hora trabalhada avançou 0,5% ao ano.

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