O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa de juros inalterada na faixa de 5,25% a 5,50% pela sétima reunião consecutiva, conforme amplamente esperado pelo mercado. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, foi unânime entre os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).
Inflação ainda acima da meta
Em comunicado, o Fed reiterou que a inflação continua elevada e que não há pressa para iniciar um ciclo de afrouxamento monetário. O índice de preços ao consumidor (CPI) de junho mostrou desaceleração para 3,0% ao ano, mas ainda acima da meta de 2%.
Segundo o presidente do Fed, Jerome Powell, em entrevista coletiva, 'a inflação mostrou algum progresso, mas precisamos ver mais evidências antes de cortar juros'. Ele destacou que o mercado de trabalho permanece forte, com taxa de desemprego em 4,1%, e que a economia segue resiliente.
Perspectivas para cortes
O Fed sinalizou que pode realizar apenas um corte de juros ainda em 2026, possivelmente em setembro. A projeção mediana dos membros do Fomc indica uma taxa terminal de 5,1% ao final do ano, ante 4,6% previsto anteriormente.
Economistas avaliam que o Fed adota postura cautelosa para não reacender pressões inflacionárias. 'A paciência é a palavra de ordem. O Fed quer ter certeza de que a inflação está sob controle antes de agir', afirmou a economista-chefe do Bank of America, Michelle Meyer.
Impacto nos mercados
Após a decisão, os índices acionários em Nova York fecharam em alta moderada, com o S&P 500 subindo 0,3%. O dólar enfraqueceu frente a outras moedas, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos caíram para 4,28%.
Para o Brasil, a manutenção dos juros americanos em patamar elevado pode pressionar o real e limitar espaço para cortes na Selic pelo Banco Central. 'O diferencial de juros continua favorável, mas a cautela do Fed reduz o apetite por risco em emergentes', comentou o estrategista da XP Investimentos, Marco Túlio.



