O escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos anunciou na noite de quinta-feira (12) que abriu investigações sobre práticas comerciais desleais contra 60 países, incluindo o Brasil. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio Americana, busca verificar se essas nações falharam em combater o trabalho forçado.
Segundo o órgão, a investigação pode resultar em novas tarifas, especialmente após a derrota do tarifaço na Suprema Corte em fevereiro. O Brasil já havia sido alvo de investigações semelhantes no ano passado, quando questões como desmatamento, violação de direitos autorais e o sistema de pagamento Pix foram criticados pela gestão Trump.
Setores agrícolas americanos acusam produtores brasileiros de utilizar mão de obra forçada ou análoga à escravidão, o que torna o agronegócio brasileiro um possível foco da nova apuração. A lista inclui grandes parceiros comerciais dos EUA, como Canadá, União Europeia, Reino Unido, Japão e Austrália, além de China e Rússia.
O representante comercial dos EUA, Greer, afirmou que espera concluir as investigações antes de julho, quando expiram as tarifas temporárias de 10% impostas por Trump com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. A China criticou a medida nesta sexta-feira (13), afirmando que os EUA não têm o direito de determinar unilateralmente se um parceiro tem 'excesso de capacidade'.
Os EUA já adotaram restrições a produtos da região de Xinjiang, na China, sob a Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur, sancionada pelo ex-presidente Joe Biden. Pequim nega as acusações de abusos contra a minoria uigur.



