O dólar abriu a sessão desta quinta-feira (18) em alta, com avanço de 0,65% por volta das 9h, cotado a R$ 5,1406. As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h. O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.), conforme esperado pelo mercado. Já o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decidiu manter as taxas inalteradas, em meio a sinais de preços ainda elevados nos Estados Unidos.
Política de juros nos EUA e reflexos no Brasil
A política de juros nos EUA também tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível elevado, cresce a pressão para que a Selic permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio e o nível de investimento estrangeiro no país. Quando o dólar está mais alto, produtos importados ficam mais caros no Brasil, pressionando a inflação doméstica, especialmente em itens como combustíveis e eletrônicos. Isso tende a resultar em juros mais elevados no Brasil, encarecendo o crédito e limitando o crescimento econômico.
Acordo de paz entre EUA e Irã
O novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã também está no radar. O tratado, assinado na quarta-feira (17) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, já está em vigor. O texto inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e uma compensação financeira ao governo iraniano, entre outros pontos. Em meio à expectativa de normalização no mercado de petróleo com a reabertura do Estreito de Ormuz, a commodity operava em queda. Perto das 9h, o barril do Brent caía 1,51%, a US$ 78,35, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuava 2,14%, a US$ 75,15.
Desempenho do dólar e Ibovespa
- Dólar: Acumulado da semana: +0,90%; Acumulado do mês: +1,29%; Acumulado do ano: -6,94%.
- Ibovespa: Acumulado da semana: -1,73%; Acumulado do mês: -3,23%; Acumulado do ano: +4,38%.
Juros na mira: Copom e Fed
As decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos são o principal destaque. Por aqui, a expectativa era que o Copom fizesse mais uma redução de 0,25 p.p., levando a Selic para 14,25% ao ano. Analistas da XP Investimentos apontam que o cenário de inflação se deteriorou desde a última reunião, devido a choques globais de oferta, aquecimento da atividade doméstica e interrupção do ciclo de valorização do real. Isso deve levar o Copom a elevar sua projeção para o IPCA no quarto trimestre de 2027 de 3,5% para 3,6%, mantendo alguma flexibilidade para ajustes adicionais, mas com comunicação cautelosa.
Nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manteve as taxas de juros inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%. Essa foi a primeira reunião sob a gestão de Kevin Warsh, indicado por Trump. O cenário de juros altos nos EUA leva investidores estrangeiros a realocar recursos para a maior economia do mundo, em busca de rendimentos maiores e maior segurança. Com isso, o dólar tende a se valorizar em relação a outras moedas, incluindo o real, e a bolsa brasileira tende a cair.
Na avaliação de Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora americana Stratton Capital, um ponto relevante foi a decisão de Warsh de não divulgar sua estimativa para os juros no 'gráfico de pontos' (dot plot), movimento coerente com críticas anteriores. O comunicado do Fed deixou claro o foco em estabilidade de preços, mantendo aberta a possibilidade de novas altas de juros. Isso ajuda a explicar a reação dos mercados: fortalecimento do dólar, pressão sobre títulos públicos americanos e queda das bolsas.
Detalhes do acordo EUA-Irã
O memorando de entendimento entre EUA e Irã prevê: novo cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes, incluindo o Líbano; reabertura imediata do Estreito de Ormuz, com remoção de minas; Irã não cobrará taxas de embarcações; tráfego local deve voltar aos níveis pré-guerra em 30 dias; EUA levantam bloqueio naval na entrada de Ormuz; sanções ao Irã serão flexibilizadas progressivamente; Irã se compromete a não obter arma nuclear. Trump afirmou que o fim das sanções não será imediato e que as negociações continuam. Em entrevista coletiva no G7, Trump declarou que, se não ficar satisfeito, pode retomar ataques ao Irã. Os líderes do G7 ressaltaram a necessidade de negociação para abordar as ameaças iranianas.
Mercados globais
Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em baixa: Dow Jones caiu 0,96%, S&P 500 recuou 1,19% e Nasdaq Composite perdeu 1,32%. Na Europa, a maioria fechou em alta, com STOXX 600 subindo 0,5%; DAX avançou 0,10%, CAC 40 caiu 0,20% e FTSE 100 subiu 0,14%. Na Ásia, a maioria das ações fechou em alta: CSI300 avançou 0,97%, SSEC ganhou 0,74%, Hang Seng caiu 0,74%, Nikkei subiu 0,7% e Kospi valorizou 1,58%. As informações são da agência Reuters.



