A cotação do petróleo voltou a subir nesta quarta-feira (10), impulsionada por novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevou o tom contra o Irã. O barril do Brent avançava 2,89% por volta das 15h (de Brasília), enquanto o WTI ganhava 3,38%. Mais tarde, os contratos reduziram parte dos ganhos, mas seguiram no campo positivo, com o Brent acima de US$ 92 e o WTI próximo de US$ 89.
O gatilho veio de relatos de que Trump estaria próximo de ordenar ataques contra usinas elétricas e pontes no Irã. Horas antes, ele já havia afirmado em sua rede social que Teerã “demorou muito” para negociar um acordo e que agora teria de “pagar o preço”. O movimento marca uma mudança de humor em relação à sessão anterior, quando os preços recuaram após Trump sinalizar um possível acordo de paz em poucos dias.
A nova escalada ocorreu após ataques americanos contra sistemas de defesa aérea e radares iranianos próximos ao Estreito de Ormuz, apresentados pelo Comando Central dos EUA como resposta à derrubada de um helicóptero Apache americano. Embora autoridades iranianas tenham indicado a mediadores que o episódio não foi intencional, o ambiente voltou a se deteriorar, reduzindo as apostas em uma solução diplomática de curto prazo.
A preocupação dos investidores se concentra no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Qualquer ameaça à circulação de navios na região provoca reações imediatas nos mercados de energia. O Kuwait, por exemplo, já avalia rotas alternativas de exportação. Apesar disso, o mercado ainda evita projetar uma interrupção efetiva do fluxo, refletindo principalmente um prêmio adicional de risco geopolítico.
Um petróleo mais caro tende a pressionar custos de transporte, combustíveis e cadeias produtivas, alimentando preocupações inflacionárias. O tema ganha relevância com a divulgação do CPI dos EUA, cujo núcleo avançou 0,2% em maio ante abril, abaixo da expectativa de 0,3%. No Brasil, o encarecimento da energia pode dificultar a desinflação e reduzir o espaço para cortes adicionais da Selic.
Em meio à volatilidade, a Petrobras (PETR4) anunciou a compra de 50% de participação no bloco exploratório Itaimbezinho, na Bacia de Campos, adquirido da Equinor. A transação depende de aprovação da ANP e do Cade.



