O dólar abriu a sessão desta quinta-feira (23) em alta, com avanço de 0,41% perto das 9h, cotado a R$ 5,0718. O movimento reflete a escalada do conflito no Oriente Médio e o novo tarifaço do presidente americano, Donald Trump. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h.
Petróleo se aproxima de US$ 100 com ataques no Oriente Médio
O avanço do petróleo em meio à escalada do conflito no Oriente Médio segue no centro das atenções. Com a continuidade dos ataques entre na região, a commodity voltou a ficar próxima ao patamar de US$ 100 o barril, mesmo após a afirmação de que o Omã media negociações com a Arábia Saudita, partidos iemenitas e um enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU). O tráfego reduzido no Estreito de Ormuz continua a trazer temores sobre uma interrupção na oferta global de petróleo.
Perto das 8h40, o barril do Brent, referência internacional, subia 4,94%, cotado a US$ 98,72. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, avançava 4,50% no mesmo horário, cotado a US$ 90,74 por barril.
Tarifaço de Trump entra em vigor e nova taxa deve ser anunciada
O novo tarifaço do presidente americano também fica no radar. Na véspera, a nova taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros entrou em vigor, e a expectativa é que uma nova alíquota, entre 10% e 12,5%, seja anunciada em breve para cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. O cenário aumenta a pressão sobre o governo brasileiro, que segue em conversa com os setores afetados e avalia como reagir às tarifas.
Na véspera, o representante do comércio americano, Jamieson Greer, voltou a afirmar que práticas de desmatamento no Brasil colocam agricultores americanos em desvantagem competitiva, justificando que os baixos padrões ambientais em outros países justificam tarifas mais altas. O tema já foi amplamente refutado pelo governo brasileiro. Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que os argumentos são "absolutamente improcedentes" e "inverídicos", reiterando que o sistema de exportação brasileiro passa por um sistema rigoroso de fiscalização e controle ambiental.
Bolsas globais e balanços corporativos
A temporada de balanços corporativos também deve mexer com as bolsas globais nesta quinta-feira. As ações da Alphabet recuavam no pré-mercado, após a companhia elevar sua projeção de investimentos, reforçando os gastos com inteligência artificial e reacendendo preocupações sobre o elevado custo para expansão da infraestrutura do setor.
Na Europa, o dia era negativo. Perto das 8h40, o índice DAX, da Alemanha, tinha queda de 0,69%, enquanto o CAC-40, da França, recuava 1,19% e o FTSE 100, do Reino Unido, tinha perdas de 0,22%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em alta, à medida que o ânimo do mercado com o setor de tecnologia e inteligência artificial se recuperava. O CSI 300 avançou 0,23%, enquanto o SSEC teve alta de 0,25%. Entre as demais bolsas da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,28%, o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 4,40% e o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,46%.
Acumulados do dólar e Ibovespa
O dólar acumula queda de 1,17% na semana, 2,16% no mês e 7,97% no ano. Já o Ibovespa acumula alta de 2,21% na semana, 3,21% no mês e 10,19% no ano.
Conflito no Oriente Médio: ataques e bloqueios
Na véspera, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) concluiu uma nova rodada de ataques contra alvos militares iranianos, marcando a 12ª noite consecutiva de operações. Segundo o comando, foram atingidas instalações de armazenamento de mísseis e drones, sistemas de defesa aérea, capacidades marítimas e locais de vigilância costeira. Em comunicado, o Centcom afirmou que as ações visam reduzir a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais e marinheiros civis. Os EUA também disseram ter retomado um bloqueio marítimo contra o país e que mais de 50 mil militares americanos permanecem mobilizados no Oriente Médio.
Já nesta quinta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã disse ter atacado e destruído diversos equipamentos militares americanos na Jordânia, além de ter atacado bases dos EUA no Kuwait, incluindo Arifjan e Doha. Os aliados houthis do Irã no Iêmen também disseram ter atacado dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do fechamento iminente do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse em um encontro diplomático no Sudeste Asiático que o preço que o Irã paga "ficará mais alto a cada noite" até que Teerã esteja pronta para um acordo de paz. "O Irã está implorando por um acordo todos os dias. O problema com o Irã é que, toda vez que eles fecham um acordo... ou o quebram ou querem mudá-lo", disse ele. "Então, agora eles estão pagando o preço por isso. E talvez mudem de ideia nos próximos dias, conforme continuam a sofrer grandes perdas."
*Com informações da agência de notícias Reuters.



