DIs sobem com Treasuries após EUA revogarem licença de petróleo do Irã
DIs sobem com Treasuries após EUA revogarem licença de petróleo do Irã

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) ganharam força na reta final da sessão e encerraram a terça-feira com altas, acompanhando a aceleração dos rendimentos dos Treasuries após os Estados Unidos revogarem uma autorização para a venda de petróleo do Irã. A decisão norte-americana elevou as tensões geopolíticas no Oriente Médio, impactando os mercados financeiros globais.

Movimento das taxas futuras

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,14%, com alta de 10 pontos-base ante o ajuste de 14,043% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,37%, com elevação de 5 pontos-base ante o ajuste de 14,321%. Até próximo do fechamento da sessão regular, as taxas futuras demonstravam acomodação no Brasil, mas a notícia envolvendo EUA e Irã deu força ao petróleo, acelerou o avanço dos rendimentos dos Treasuries e impulsionou o dólar ante outras divisas, o que impactou a curva brasileira.

Contexto geopolítico

Os EUA revogaram uma licença geral que autorizava a venda de petróleo iraniano, afirmou uma autoridade norte-americana, alertando que as ações do Irã no Estreito de Ormuz eram “totalmente inaceitáveis” e teriam consequências. Mais cedo, a agência UKMTO, ligada à Marinha britânica, informou que três petroleiros relataram ter sido atingidos por projéteis desconhecidos no Estreito de Ormuz e nas proximidades nos últimos dias. Não houve comentário imediato de Teerã, nem reivindicação de responsabilidade.

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Impacto na curva brasileira

A taxa do DI para janeiro de 2025, que marcou a mínima de 14,015% (-3 pontos-base) às 15h33, pouco antes da notícia sobre a revogação, saltou para a máxima de 14,160% (+12 pontos-base) às 16h15, já após a publicação. Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia 6 pontos-base, a 4,539%. O noticiário sobre o Oriente Médio azedou uma sessão que, até perto do fechamento, era de baixa leve para as taxas dos DIs, na esteira de leilão de títulos com baixo volume realizado pelo Tesouro no fim da manhã.

Atuação do Tesouro

O Tesouro mais uma vez demonstrou cautela ao ofertar Notas do Tesouro Nacional — Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação. O órgão vendeu apenas 150 mil notas no leilão, um volume baixo, semelhante aos 134,4 mil títulos negociados na semana passada. Há duas semanas, o Tesouro nem mesmo ofertou NTN-B em sua operação regular. Ao vender menos títulos ou mesmo cancelar a oferta semanal de NTN-B, o Tesouro evita corroborar as taxas reais mais elevadas que vêm sendo praticadas no mercado, acima de 8%. O efeito disso na curva de DIs é de desestimular o avanço das taxas — daí a desaceleração vista nesta terça-feira após o leilão.

Reação do mercado

Operador ouvido pela Reuters pontuou que, além das vendas menores de NTN-B, o mercado seguiu reagindo a comentários do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, em entrevista à Folha de S.Paulo publicada na sexta-feira. Ceron demonstrou preocupação com a taxa real das NTN-B, alertando que o Tesouro está preparado para atuar no mercado se necessário. Em reação, as taxas reais das NTN-B para vencimentos como agosto de 2032 e maio de 2035 cederam um pouco desde a última sexta-feira, embora sigam acima dos 8%.

Leilão e indicadores

No leilão regular desta terça-feira, além das NTN-B, o Tesouro vendeu 1,5 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), títulos indexados à taxa Selic. O volume foi compatível com o verificado em outras semanas. No início do dia, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação de 0,79% em junho, após uma taxa positiva de 0,87% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam por deflação de 0,60% em junho. No acumulado de 12 meses, a taxa está positiva em 3,59%.

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Expectativas para a Selic

Nas últimas semanas, na esteira dos dados econômicos mais recentes e do discurso do Banco Central, investidores têm elevado as apostas de que a instituição cortará em agosto novamente a Selic, hoje em 14,25% ao ano. Na sexta-feira — atualização mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 72% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 25,9% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. Duas semanas antes, em 19 de junho, os percentuais eram de 26% para corte de 25 pontos-base e 68,5% para manutenção.