SÃO PAULO, 15 Jun (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira com baixas de mais de 10 pontos-base em vários vencimentos, em sintonia com o recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior, após Estados Unidos e Irã chegarem a um acordo para encerrar a guerra.
No fim do dia, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 14,35%, em baixa de 16 pontos-base ante o ajuste de 14,512% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,195%, com recuo de 7 pontos-base ante o ajuste de 14,268%. Foi o quarto recuo consecutivo das taxas futuras no Brasil.
Acordo entre EUA e Irã
Autoridades norte-americanas e iranianas afirmaram no fim de semana ter chegado a um acordo para pôr fim ao conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo. Nesta segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, o vice-presidente, JD Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, assinaram um memorando de entendimento para pôr fim à guerra. Uma cerimônia formal de assinatura deve ocorrer na sexta-feira, e a expectativa é de que o tráfego pelo Estreito de Ormuz aumente de forma gradual.
Com isso, o petróleo Brent voltou a ceder nesta segunda-feira, para a faixa dos US$83 o barril, enquanto os rendimentos dos Treasuries recuaram. Na renda fixa brasileira, isso se traduziu em nova queda das taxas dos DIs. Às 10h24, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 14,090% (-18 pontos-base).
Expectativas para o Copom
No trecho curto da curva a termo, investidores também ajustavam posições antes da decisão de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Na última quinta-feira — atualização mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 49,05% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic na próxima quarta-feira, contra 44% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,50%. Para o encontro seguinte do Copom, em agosto, os percentuais eram de 70% para manutenção e 27% para corte de 25 pontos-base.
Já o boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação em 2026 saltou de 5,11% para 5,30% e em 2027 foi de 4,03% para 4,10%. Também houve nova elevação da projeção de inflação para 2028, de 3,65% para 3,68%, com o Focus traduzindo uma deterioração das expectativas já percebida nos preços dos ativos nas últimas semanas. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%.
Conforme o Focus, a taxa básica Selic esperada para o fim de 2026 foi de 13,50% para 13,75% e para o encerramento de 2027 passou de 11,50% para 12,00%. Os economistas no Focus esperam corte de 25 pontos-base da taxa nesta semana.
Declarações do Ministro da Fazenda
Em entrevista a um podcast da Warren Investimentos veiculada pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se mostrou favorável a uma discussão sobre possíveis ajustes na apuração da inflação no Brasil, argumentando que estudiosos apontam uma defasagem na composição dos índices de preços. Segundo ele, o modelo vigente no país “dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente”, enquanto há uma representação menor de itens que ganharam importância nos últimos anos, como serviços de streaming e serviços digitais de nuvem.
Cenário Externo
No exterior, investidores também aguardam pela decisão de política monetária do Federal Reserve, na tarde de quarta-feira. Os Fed funds precificavam no fim da tarde 98,6% de probabilidade de manutenção da taxa de referência na faixa entre 3,50% e 3,75%. Além disso, o mercado espera que pelo menos uma alta de juros seja anunciada até o fim do ano.
Às 16h38, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha queda de 2 pontos-base, a 4,062%. Já o retorno do título de dez anos — referência global para decisões de investimento — caía 2 pontos-base, a 4,469%.
(Edição de Pedro Fonseca)



