O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,08% em junho, a primeira taxa negativa desde maio de 2023, puxada principalmente pela queda nos preços de combustíveis e alimentos. O dado foi divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Queda nos combustíveis e alimentos
Os preços dos combustíveis caíram 2,5% em junho, com destaque para a gasolina (-2,8%) e o etanol (-3,1%). A redução reflete a desoneração de tributos federais sobre a gasolina e o etanol, além da redução no preço do petróleo no mercado internacional. Já os alimentos recuaram 0,6%, com destaque para a queda no preço do leite longa vida (-4,2%), do frango (-2,1%) e do arroz (-1,8%).
Impacto no acumulado do ano
Com o resultado de junho, o IPCA acumulado no ano ficou em 2,87%, abaixo dos 3,12% registrados até maio. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada é de 4,23%, dentro do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O coordenador de Índices de Preços do IBGE, Pedro Kislanov, afirmou que "a deflação de junho foi influenciada principalmente pela queda nos preços dos combustíveis, que tiveram impacto direto no custo de transporte e, indiretamente, nos alimentos".
Transporte e habitação também contribuíram
O grupo Transporte recuou 1,2%, puxado pela queda nos combustíveis. Já o grupo Habitação teve alta de 0,3%, com destaque para o aumento na energia elétrica residencial (0,8%) e no gás de botijão (1,2%). O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,5%, enquanto Vestuário registrou alta de 0,4%.
Perspectivas para os próximos meses
Analistas do mercado financeiro esperam que a inflação continue em trajetória de queda nos próximos meses, mas alertam para possíveis pressões sazonais, como o aumento no preço dos alimentos no período de entressafra. O Banco Central, em seu último Relatório de Inflação, projetou IPCA de 5,0% para 2026, considerando a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano.



