A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quinta-feira, 22 de julho, novas projeções para a economia brasileira em 2026. O destaque fica por conta do crescimento mais acelerado da indústria, que deve avançar 2,5% no próximo ano, ante uma expectativa de 1,9% para 2025. Já o setor de serviços, que vinha puxando a atividade econômica, deve perder fôlego, com expansão prevista de apenas 1,8% em 2026, abaixo dos 2,2% estimados para este ano.
Indústria ganha tração com investimentos e demanda externa
Segundo a CNI, o desempenho mais robusto da indústria reflete uma combinação de fatores: aumento dos investimentos, recuperação da demanda externa e melhora na confiança dos empresários. “A indústria está se beneficiando de um ciclo mais favorável de investimentos, especialmente nos setores de máquinas e equipamentos, além de uma retomada das exportações de manufaturados”, afirmou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo. A entidade projeta que a formação bruta de capital fixo (investimentos) cresça 3,1% em 2026, após alta de 2,4% em 2025.
Serviços desaceleram após ciclo de forte expansão
O setor de serviços, que vinha crescendo acima da média da economia desde 2023, deve desacelerar em 2026. A CNI atribui a perda de dinamismo ao menor impulso do consumo das famílias e ao arrefecimento do mercado de trabalho. “O setor de serviços foi o grande motor do PIB nos últimos anos, mas já mostra sinais de esgotamento do ciclo de recuperação pós-pandemia. Com o mercado de trabalho mais apertado e a renda crescendo em ritmo menor, a tendência é de desaceleração”, explicou Azevedo. A projeção para o consumo das famílias em 2026 é de alta de 1,9%, ante 2,3% em 2025.
PIB total deve crescer 2,1% em 2026
Com esses movimentos setoriais, a CNI estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresça 2,1% em 2026, ligeiramente abaixo dos 2,3% projetados para 2025. A agropecuária, por sua vez, deve apresentar crescimento de 1,5%, após uma safra recorde em 2025. A indústria da construção também deve acelerar, com alta de 2,8%, impulsionada por obras de infraestrutura e habitação.
Cenário externo e política monetária pesam nas projeções
A CNI ressalta que as projeções dependem do cenário externo e da política monetária doméstica. A desaceleração da economia global, especialmente na China e nos Estados Unidos, pode afetar as exportações brasileiras. Além disso, a manutenção da taxa Selic em patamar elevado, atualmente em 10,5% ao ano, tende a conter o crédito e o consumo. “O Banco Central deve iniciar um ciclo de cortes de juros apenas no segundo semestre de 2026, o que limitará o crescimento no curto prazo”, ponderou Azevedo.
Mercado de trabalho e inflação
No mercado de trabalho, a CNI projeta uma taxa de desemprego de 7,8% em 2026, estável em relação a 2025. A massa salarial real deve crescer 2,2%, ligeiramente abaixo dos 2,5% deste ano. A inflação, medida pelo IPCA, deve ficar em 4,1%, dentro do teto da meta de 4,5%, mas pressionada por serviços e alimentos. “A inflação de serviços ainda preocupa, mas a desaceleração da atividade deve ajudar a convergir para o centro da meta no médio prazo”, concluiu o gerente da CNI.



